Acesse a publicação originalApesar da infâmia cometida no título (os clichês continuam infames?) somos, em geral, um povo alegre e feliz. Adamastor, meu amigo psico-sociólogo, afirma que somos assim por vocação. Uma coisa que ninguém nos ensinou, nem percebemos que somos. Alguns povos estão sempre reclamando, não se contentam com nada, qualquer coisinha, como apropriação indébita da poupança nacional, lá estão eles nas ruas, protestando, enfrentando a polícia, pedindo a cabeça de seus governantes. Eles detestam a paz. Mas voltando aos profundos conhecimentos do Adamastor, podemos dizer que são vocacionados, esses povos, para a infelicidade. São muito provavelmente leitores do Schopenhauer.
Vocês já repararam como somos risonhos? No carnaval, então, aparecemos todos com os lábios abertos e levemente repuxados para as laterais do rosto, o que pode ser traduzido como sorriso. Cantamos, e como cantamos, balançando os antebraços pra cima e pra baixo, os indicadores apontados para o céu.
Estamos tão acostumados com lama que ninguém mais reage.
GetúlioVargas, ex-ditador e ex-presidente dos brasileiros, não chegou a ter notícia de nosso fairplay, qualquer coisa assim como laissez faire, laissez passer. Pior para ele, que descobriu um mar de lama nos subterrâneos do Catete e de vergonha optou pelo suicídio. E olha que o Getúlio nem era chinês. Por que lá, me conta o Adamastor, obrigação de corrupto descoberto é cometer o suicídio. Uma coisa de civilização milenar. Nós, coitados de nós, mal passamos dos quinhentos anos de história.
Temos
visto lama que o Gegê jamais ousaria imaginar, só que ninguém mais se mata por
isso. Graças a nosso fairplay combinado com o laissez faire, laissez passer.
Somos um povo com forte vocação para a felicidade.
A
lama corre por baixo dos bancos executivos e legislativos, da Capital Federal
até a última Chapetuba de nossa querida pátria. Sem parar. E ela cresce para
incrementar nossa felicidade. Outro dia a televisão mostrou uns vereadores que,
muito pragmáticos, ajustaram um mensalinho para votar com o prefeito. O tal do
milão. A lama cobriu até a cadeira do presidente daquela Casa de Leis. Que deve
andar por aí, livre e leve, feliz da vida.
Oh, tempora, oh, mores. Quosque
tandem abutere, Catilina, patientia nostra? E a lama vai entrando pelas casas,
invadindo as lavouras, essa lama não acaba mais? Ah, já sei, não se estuda mais
latim nas escolas. Mais uma das invenções da Redentora de 64.
Olá Menalton passei para conhecer seu blog ele é notº10, muito maneiro com excelente conteúdo gostaria de parabenizar pelo seu trabalho e desejar muito sucesso em sua caminhada e objetivo no seu Hiper blog e que DEUS ilumine seus caminhos e de seus familiares
ResponderExcluirUm grande abraço e tudo de bom
Caro Rodrigo,
ResponderExcluirAgradeço por seu comentário. Saber que a garrafa jogada no oceano foi encontrada é o que nos anima a continuar. Abraços