quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (122)

Wittgenstein
3.10. Redundância e ruído

O texto literário é produzido sob a pressão de duas forças contrárias: a redundância e a informação.

Aquilo que se quer o eixo da significação precisa ser reiterado, pois como afirma Wittgenstein, "A redundância evita a aleatoriedade nas sequências de signos, assegurando a regularidade e a ordem da mensagem, sem as quais, não existiria significado."

Mas esse fator, que é central em textos pragmáticos, sofre, no texto literário, uma oposição com a qual deverá conviver. Citando o professor Vítor Manuel, "...quanto mais profundas e extensas forem a transformação, a inovação ou a revolução representadas pela mensagem em relação ao código, tanto menor será a sua taxa de elementos estruturais redundantes e tanto mais elevado será o seu índice de informação."

Deve-se entender aqui por "informação" tudo aquilo que é novo, diferente, que acrescenta, isto é, tudo aquilo que, além do ponto de vista da pragmática, se afasta do código literário existente ou a ele acrescenta alguma novidade.

Nesta tensão redundância x informação acontece a literatura que não seja o que se chama de literatura banal, de consumo, ou mesmo da literatura de tese, etc. Sem informação (sobretudo estética) o texto nada acrescenta ao sistema, não marcando sua existência. Por outro lado, sem redundância, o ruído torna-se um obstáculo para a comunicação. "...entendendo-se por ruído qualquer perturbação da transmissão de informação num processo comunicativo." Um arcaísmo, um neologismo, uma estrutura frásica elíptica, muitas vezes uma figura de retórica, em alguns casos e para alguns receptores podem ser fontes de ruído.

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