Acesse a publicação original no site da Carta Capital
Pois este povo contente acaba de ver o sr. Marin (mas de onde surgiu essa peça?), convencido de que não terá muito tempo para amealhar fortuna, que é seu dever deixar para os herdeiros, e por isso, por essa falta de tempo (vamos dizer “útil”, completando o chavão?) resolveu estipular seus próprios honorários um pouco acima daqueles cirrus que em dia de céu claro a gente pode ver.
Mas por que ficar pasmo com o salário de 160 mil reais por mês do sr. Marin? Pensando bem, os relevantes serviços (mais chavão) prestados à nação brasileira valem até muito mais. Ele, o sr. Marin, tem um expediente árduo, para dizer pouco, tedioso, em que o esforço intelectual exigido ultrapassa qualquer cérebro… bem, digamos, de um Einstein, por exemplo. E graças a esse esforço, seremos campeões de futebol nas Olimpíadas da Inglaterra, se não me engano, além de hexacampões da Copa do Mundo, aqui no Brasil, com toda certeza.

Ando pasmo, mas vivo contente. Sem querer plagiar o título
do Jorge Amado, Deus, quando distribuiu a humanidade sobre o planeta Terra,
resolveu que ali, naquele território triangular que se deslocou da costa
ocidental da África, ali colocaria o povo mais feliz do planeta para que fosse
o País do Carnaval. O Jorge Amado sabia do que estava falando.
Vivo contente, mas
ando pasmo. Vivo contente porque a televisão nos ordena todos os dias que
sejamos felizes. Então, apesar das pequenas diferenças entre contente e feliz,
prefiro viver contente. Como a imensa maioria do povo que habita este
triângulo.
Aqui as coisas
acontecem, alguns chiam, outros dizem, Ah, mas isso sempre foi assim. Coisas,
muitas coisas, e de pasmar. As coisas acontecem e com as coisas não acontece
nada. Deu pra entender?
Pois este povo contente acaba de ver o sr. Marin (mas de onde surgiu essa peça?), convencido de que não terá muito tempo para amealhar fortuna, que é seu dever deixar para os herdeiros, e por isso, por essa falta de tempo (vamos dizer “útil”, completando o chavão?) resolveu estipular seus próprios honorários um pouco acima daqueles cirrus que em dia de céu claro a gente pode ver.
Mas por que ficar pasmo com o salário de 160 mil reais por mês do sr. Marin? Pensando bem, os relevantes serviços (mais chavão) prestados à nação brasileira valem até muito mais. Ele, o sr. Marin, tem um expediente árduo, para dizer pouco, tedioso, em que o esforço intelectual exigido ultrapassa qualquer cérebro… bem, digamos, de um Einstein, por exemplo. E graças a esse esforço, seremos campeões de futebol nas Olimpíadas da Inglaterra, se não me engano, além de hexacampões da Copa do Mundo, aqui no Brasil, com toda certeza.
Muitas pessoas, e eu
conheço algumas, como meu amigo Adamastor, ficarão indignadas. Mas o caso do
Adamastor é crônico. Além de não ser brasileiro, eis que nasceu no Cabo das
Tormentas, depois da Boa Esperança, segundo Camões, além disso ele é um
ressentido, pois não lhe coube a honra de levar Tétis para a cama, como
pretendia. Ora, mas indignação é coisa do passado. As ideologias acabaram, não
acabaram? Vivemos num mundo em que não cabem mais sentimentos baixos, como inveja,
indignação.
E você, meu leitor,
que só me lê para me acusar dos piores palavrões que conheço, deve estar feliz
por saber que a família do sr. Marin vai ficar em boa situação financeira
quando ele faltar, e se não está feliz, ah, meu caro, que triste nutrir
sentimentos baixos como indignação e inveja!
Em fevereiro tem mais carnaval, a gente esquece tudo, veste
uma fantasia e mostra ao mundo como vive um povo feliz. Contente mas pasmo, ou
pasmo mas contente?

Por acaso viu, na TV, que num final de campeonato esse senhor roubou a medalha de um atleta? A propósito, vi na casa do meu filho. Não recebo, como disse, ordens da Tv. Não tenho essa geringonça em casa.
ResponderExcluirCarlucho