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quinta-feira, 17 de maio de 2012

O VELHO E O MAR (9)

Pág. 60 - "Mudando o peso da linha para o ombro esquerdo e ajoelhando-se cautelosamente, lavou a mão no oceano e deixou-a ficar, submersa, durante mais de um minuto, observando o sangue que se espalhava a água e o movimento da água de encontro à mão à medida que o barco avançava."

Pág. 61 - "- Já vai muito mais devagar, disse o velho pescador. "(...)

"(...) Pôs um joelho sobre o atum e começou a cortar desde a cabeça à cauda, tiras longitudinais de carne vermelho-escura. (...) Depois de cortar seis tiras, estendeu-as no fundo da proa, limpou a faca nas calças, pegou a carcaça do peixe pela cauda e atirou-a na água."
Pág. 62 - "Pegou numa das tiras e levou-a à boca-a. Não era desagradável."

Pág. 63 - "Não é bom pensar no que não é possível nem razoável, mas gostaria tanto de ter aqui um pouco de sal! Não sei se o sol secará ou apodrecerá o resto do peixe e o melhor é que eu acabe de comê-lo apesar de não ter fome nenhuma. O peixe agora está mais calmo, nadando mais devagar. Vou acabar de comer e depois terei mais forças para a luta final."
(...)
"- Deus ajude essa cãibra a ir-se embora sei o que o peixe vai fazer e como é que hei de combatê-lo."
Pág. 64 - "'Mas agora parece calmo'..."
"Esfregou a mão da cãibra nas calças, e tentou mover os dedos. Mas a mão não queria abrir-se. 'Talvez se abra com o sol', pensou."
"Olhou para o mar que se perdia no horizonte e verificou quão só estava agora."
(...)
Pág. 65 - "'Quando há um ciclone, vêem-se sempre sinais no céu alguns dias antes, se se estiver no mar, naturalmente.'"
"- Brisa ligeira, disse o velho. Melhor tempo para mim do que para você, peixe."
"(...) Mas uma cãibra, se não era humilhante ante os outros, era-o sobretudo perante ele mesmo, muito especialmente quando estava sozinho."
"'Se o rapaz estivesse aqui podia friccionar-me a mão e aliviar-me o antebraço', pensou. 'Mas espero que isto logo fique bom.''"
" De repente, sentiu na mão direita uma diferença na pressão da linha, antes de ver a mudança de declive na água. Depois, à medida que se curvava para aguentar melhor a linha dava socos violentos com a mão esquerda na perna, viu a linha subir lentamente para a tona da água."
Pág. 66 - "- Está subindo! exclamou o velho. Vamos mão. Acorde, por favor."

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