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segunda-feira, 18 de junho de 2012

PARÁBOLA DO CÁGADO VELHO (12)

O QUE PODERIAM ESTAR PENSANDO DELE OS AMIGOS?

Pág. 49 - "De repente, Ulume descobriu que todo o kimbo estava ao corrente das suas dificuldades. Mande tinha chegado na véspera e já lhe perguntou, cúmplice, então queres casar outra vez e a rapariga não te atende."
"Entendia agora os risinhos abafados das mulheres e as conversas interrompidas dos homens quando chegava ao njango. (...) Ele e a Muari tinham demonstrado um ao outro que todos ficavam a ganhar com aquele casamento."

Pág. 50´- "- Achas que faço bem ou também achas que devia ter mais juízo?
Seguiam os dois, ele e Mande, no caminho que ligava à aldeia de Munakazi. Mande tinha lá familiares e ia lhes dar a notícia do regresso e de tudo o que passara."
(...)
Pág. 51 - "Vieram primeiro as mulheres a correr e a gritar de alegria, acompanhadas pelas crianças. Depois chegaram os homens, mais circunspectos, e todos se juntaram à sombra dum enorme jacarandá que imperava no largo."
(...)
"As pessoas se seguiam no uso da fala e Ulume calado e de olhos baixos. Não falaria em nenhuma circunstância, pois todos estavam a repetir o que ele conhecia, embora também soubesse que o importante da fala não era dar a conhecer a alguém algo de novo, mas apenas falar para estar junto com pessoas que têm os mesmos problemas e as mesmas inquietações."
(...)
Pág. 52 - "(...) Ulume calado e cego, mas embrenhado nestes pensamentos, e Munakazi a olhar para ele, pensando também ela. (...) E Ulume, no meio de todas as desgraças presentes e vindouras narradas pelos falantes, era uma ilha de paz. Munakazi não podia desprender os olhos da figura angulosa, ao mesmo tempo arredondada pela posição de segurar os joelhos com os braços e a cabeça para o interios dos ombros, como a estátua tchokue do pensador."
"Munakazi estremeceu, como se todos os frios do planalto se tivessem concentrado nela. Suspirou, como rendida. Segredou para a mãe:
- Depois pode ir falar com Ulume. Eu aceito casar com ele."
(...)
Pág. 54 - "Depois das despedidas, as pessoas se afastavam para os seus afazeres. Em breve o largo tinha pouca gente e Ulume voltou a olhar na direção de Munakazi. Só viu as costas. Ela caminhava para casa, com a mãe ao lado. A mãe parecia zangada, pois fazia grandes gestos. Mas falava em voz baixa. A tia Nzuzi se juntou a elas e perguntou o que passava, mas Ulume não ouvia nada, só via as três mulheres a se4 afastaram e discutirem.
(...)
Pág. 55 - "Munakazi compreendia agora que a mãe estava contra aquele casamento desde o princípio. "
"- Está bem, fale primeiro com o pai.
O qual saltou de alegria. Foi difícil convencê-lo a esperar pelo dia seguinte para levar a boa nova ao kimbo de Ulume. (...() Ficou portanto decidido que ainda antes do jantar apanhava o mel e a bebida seria preparada logo que nascesse o sol. Ulume podia dormir uma noite mais na sua tristeza, não era isso que ia mudar o mundo."

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