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quarta-feira, 12 de março de 2014

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (88)

Wittgenstein
Prosseguimos com a Semiose e comunicação.

Pág. 183 - "A confutação do solipsismo e da existência de linguagens privadas foi levada a cabo, com a sua habitual agudeza e a sua habitual complexidade de expressão e de ideação, por Wittgenstein - pelo Wittgenstein da chamada 'última fase' -, não sendo possível consagrar-lhe aqui uma análise alongada. O (p. 184) sintagma 'linguagem privada' encerra uma contradictio in adiecto, já que toda a linguagem e todo o jogo de linguagem, na acepção wittgensteiniana destes termos, pressupõem regras e o conceito de regras privadas representa uma ficção e um absurdo lógico. Com efeito, como escrevemos em 1.5., uma regra não pode ser observada privatim, não pode ser obedecida uma única vez, não pode ser utilizada de modo contraditório e arbitrário.
'Compreender uma proposição', lê-se nas Investigações filosóficas, 'significa compreender uma linguagem. Compreender uma linguagem significa dominar uma técnica'. Não só os sinais significam em função de regras convencionadas que se lhes aplicam, como também o próprio sentido das regras depende de convenções que as regem, devendo ser rejeitado, como hipótese arbitrária, qualquer tipo de 'platonismo das regras'. Quer dizer, toda a linguagem é um (p.185) fenómeno institucional e intersubjectivo - independentemente da natureza dos sinais nela existentes - e toda a língua em que a linguagem se consubstancia e particulariza possui um carácter constitutivamente público, representa um saber técnico comunitário que só é exercitado e só funciona num espaço histórico-social. Correlativamente, todo o homem, se exceptuarmos siturações psicolinguísticas patológicas de tipo autístico, adquire e faz necessariamente uso de línguas que constituem o fundamento e o veículo das suas múltiplas competências comunicativas e através das quais se realiza a programação social que, de modo consciente e/ou inconsciente, subjaz ao comportamento do homem. Na verdade, pode-se afirmar que todo o comportamento do homem é um comportamento sígnico e pode-se postular, por conseguinte, como 'um axioma metacomunicacional da pragmática da comunicação: não se pode nãocomunicar'."

(CONTINUA)

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