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terça-feira, 25 de março de 2014

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (90)


                        Roland Barthes

Pág. 187 - "Sob a influência explícita do magistério de Buyssens, mas reclamando-se também de um saussurianismo ortodoxo, autores como Mounin e Segre defendem com pertinácia que a (p.188) semiologia tem de ser, sob pena de se anular como disciplina científica, uma semiologia da comunicação. Segundo Segre, a análise semiológica deve tomar apenas em consideração os sinais voluntários e conscientes, que veiculam o desígnio de alguém exprimir e comunicar algo a alguém, segundo convenções estabelecidas, ficando assim fora do seu âmbito específico os sintomas e os indícios. A integração dos sintomas no objecto formal de estudo da semiologia conduziria a um pan-semiologismo confusionista e anularia a bipolaridade da própria comunicação: '[...] è evidente che le sole espressioni segniche riportabili, perché omogenese, a unità sono quelle conscienti. Inglobare nella semiologia anche gl'indizi vuol dire annullare la bipolarità dela comunicazione: togliere importanza al formulatore dei segni e darne exclusivamente al loro ricevitore.'

Tanto em Mounin como em Segre a defesa da semiologia da comunicação apresenta uma relevante dimensão polémica, pois ambos os autores atacam, por vezes de modo violento, a fundamentação e a consistência epistemológicas e metodológicas da semiologia da significação proposta por Roland Barthes em vários dos seus escritos, particularmente nos seus 'Éléments de sémiologie', originariamente publicados no nº 4 da revista Communications.
(p.189) Na nota de apresentação deste número e depois de transcrever a definição de semiologia formulada por Saussure, Barthes escreve: 'la sémiologie a  donc pour objet tout système de signes, quelle qu'en soit la substance, quelles qu'en soient les limites: les images, les gestes, les sons mélodiques, les objets et les complexes de ces substances que l'on retrouve dans des rites, des protocoles ou des spectacles constituent, sinon des 'langages', du moins des systèmes de signification'. Barthes assinala assim à semiologia como objeto de estudo fenômenos que não constituem formas de comunicação voluntária e intencional, sublinhando o facto de muitos sistemas semiológicos consistirem mesmo em objectos de uso cuja razão originária de ser não reside na significação, mas que sofrem, no âmbito social, um processo de semantização: 'on proposera d'appeller ce (sic) signes sémiologiques, d'origine utilitaire, fonectionnelle, des fonctions-signes."

(CONTINUA)

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