Páginas

terça-feira, 10 de junho de 2014

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (102)

René Wellek
Pág. 225 - "Outros autores, em vez de distinções tricotómicas como as de Bousoño e Booth, limitam-se a estabelecer distinções dicotómicas que, não apresentando a capacidade analítica daquelas, salvaguardam todavia a diferenciação essencial entre o autor empírico e histórico e o autor como emissor presente e actuante num texto literário. Assim, Mukaroský separa cuidadosamente o poeta e o sujeito da obra, isto é, aquele 'eu' de que a obra promana como expressão linguística e que se apresenta como (p.226) o responsável das ideias, dos sentimentos, etc., contidos nessa mesma obra. Martínez Bonati distingue o autor real e o falante fictício, sublinhando que este último constitui elemento imprescindível de toda a literatura; Jonathan Culler diferencia o autor empírico da 'persona' narrativa e da 'persona'  poética, que são uma construção, uma função da linguagem do texto narrativo e do texto poético; atendo-se à problemática dos textos literários narrativos, Teun A. van Dijk distingue o narrador pragmático (produtor do texto) e o narrador textual e Lubomír Dolezel contrapõe o autor real ao narrador ficítico, etc.

Outros autores, ainda, não curando propriamente de estabelecer distinções tricotómicas ou dicotómicas, designam o 'autor implícito' de modo a evitarem qualquer confusão com o 'autor real': Wellek e Warren referem-se a eu fictício, Käte Hanburger fala de eu lírico, Wimsatt Beardsley e Morse Peckmam optam pela designação de falante dramático, etc.

(CONTINUA)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

http://twitter.com/Menalton_Braff
http://menalton.com.br
http://www.facebook.com/menalton.braff
http://www.facebook.com/menalton.braff.escritor
http://www.facebook.com/menalton.para.crianças