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| Northrop Frye |
A presença explícita ou oculta do autor textual é um fenómeno que se relaciona directamente com a problemática dos géneros literários e, em particular, com o que Northrop Frye designa por 'radical de apresentação' dos géneros, como esclareceremos no capítulo seguinte.
A presença explícita do autor textual - ou do narrador por ele criado - manifesta-se imediata e fundamentalmente através dos elementos deíticos dos enunciados, isto é, aqueles elementos linguísticos que identificam e localizam as pessoas, os objetos, os eventos, os processos e as atividades a que se faz referência, 'em relação com o contexto espácio-temporal criado e mantido pelo acto da enunciação e pela participação nele, tipicamente, de um único emissor e, pelo menos, de um receptor'. A deíxis pessoal e demonstrativa, a deíxis temporal (p.231) e a deíxis espacial, os modos e os tempos verbais organizam-se e articulam-se em função do autor textual, pois toda a situação enunciativa canónica tem o seu foco estruturante no ego do locutor (e por isso Lyons fala da 'egocentricidade' da enunciação). Por conseguinte, deícticos como 'eu', 'agora', 'amanhã', 'aqui', etc., devem ser referidos ao autor textual - ou ao narrador - e não ao autor empírico.
Num texto literário, todavia, ocorrem deícticos que não são referíveis ao autor textual ou ao narrador: é o caso óbvio dos deícticos que figuram nos enunciados produzidos por actores do texto - enunciados, em geral, diferenciados por adequada convenção gráfica dos enunciados da responsabilidade imediata e específica do autor textual ou do narrador - e é também o caso, mais complexo e subtil, dos deícticos existentes no chamado discurso indirecto livre. "
(CONTINUA)

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