O poema que segue é do premiado poeta Vasco de Oliveira.

BOLO DE FUBÁ
Farelos
sobre a mesa.
Gosto
de erva doce
como
um fundo musical
fluindo
fundo da memória.
No
abismo do tempo
o
cheiro da canela em pó
levemente
espalhada com açúcar.
Nossos
mortos nunca morrem completamente,
estão
guardados em nossa caixa de sapatos.
Habitam
fotografias desbotadas
de
onde nos olham com olhos baços pelo tempo.
A
ausência é uma cadeira vazia à mesa
onde
pardais recolhem migalhas
de
um bolo de fubá.
Do livro Fragmentos, de Vasco Pereira de Oliveira
Lindo! Viajei no tempo!!Parabens!!
ResponderExcluirO tempo e a leveza de um poema como este, falando das coisas próximas, nos incitam a muitos voos à distância.
ResponderExcluir