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| Wolfgang Iser |
Foi só na década de 1960 que, sob a influência da fenomenologia husserliana, Iser e alguns outros teóricos desenvolveram a ideia de que o leitor, em suas circunstâncias, deve ser levado em conta como o destino de toda comunicação literária.
Já Antonio Candido, em famoso ensaio, afirmava que o círculo da literatura só se completa em um tripé: autor, obra, leitor.
Sem a existência de um receptor que conheça o policódigo em que se produziu a obra, esta deixa de existir, pelo menos como comunicação.
O texto literário é um diálogo in absentia em que o receptor pode ser coevo, pode se encontrar no futuro, pode ter os mais variados níveis de conhecimento do policódigo literário.
Sendo assim, e tomando o cuidado de não ultrapassar os limites do razoável, pode-se dizer que o texto literário admite várias leituras. Segundo Antonio Candido, Machado de Assis continua a ser apreciado hoje, mas não pelos mesmos motivos que o foi em seu tempo. E eu acrescentaria, ainda, que, usando uma expressão popular, "tem pra todos". Tal é a riqueza de sua literatura que variados níveis de recepção podem apreciar sua obra, cada um por uma razão diferente. Isso não quer dizer que não haja limites para a compreensão da obra. O absurdo e o non sense devem ser considerados como desvios da recepção razoável.
Transcrevo o final do parágrafo que encerra o capítulo:
"... o texto literário realizar-se-á necessariamente como obejcto estético de modos diversos, quer num plano sincónico, quer num plano diacrónico."
(CONTINUA)

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