O
jornal Celulose Online publica a quarta parte do texto de Menalton Braff sobre
Literatura. A primeira parte foi postada neste blog no dia 22 de novembro, a
segunda no dia 28 de dezembro de 2014 e a terceira no dia 31 de janeiro de 2015.
Literatura: o que é isso? (4)
Além de ocorrer dentro da história da humanidade, a
literatura tem também sua história particular. E isso implica as transformações
por que passa tanto por influxo das transformações sociais quanto como
resultado de forças endógenas que atuam no sentido dessas mudanças.
Apesar da inelutabilidade do fenômeno acima, e em oposição a
ele, é dentro de uma tradição inegável que se dão as transformações. Tradição e
ruptura atuam no sentido de aceitar as mudanças sem tirar os pés de certos
elementos estabilizadores.
Desde os primórdios da literatura, e para que ela fosse
compreendida como tal, cristalizaram-se os gêneros dentro dos quais ela passava
a ter existência. Na Antiguidade, os textos literários eram classificados em
lírico, épico e dramático. Com algumas modificações, tal classificação persiste
até os dias atuais.
Como gênero lírico, deve entender-se aquele em que se fala
de sentimentos, emoções do próprio emissor, ou aquele em que este enuncia uma
visão particular, a sua, a respeito da vida.
No gênero épico, o emissor ausente canta as glórias
(geralmente guerreiras), os grandes feitos, de uma cidade, uma nação, um povo,
enfim. O épico sempre fala do passado, daquilo que já ocorreu, e,
diferentemente do lírico, que explora a interioridade do emissor, uma primeira
pessoa, o épico vai narrar uma terceira pessoa, aquilo que ocorre fora do
emissor. E tem sempre um caráter narrativo.
Quanto ao gênero dramático, pode-se dizer que é aquele em
que o texto é vivido no palco. Com exceção do coro, do teatro grego, o gênero
dramático não é narrado mas vivido. Seu texto, mesmo quando escrito, é para ser
falado, sua forma final é a voz dos atores.
Ora, na Antiguidade, tanto o texto lírico quanto o épico
eram produzidos em versos, uma das grandes mudanças que vão ocorrer com o
tempo: o texto literário em prosa.
Saltando por sobre séculos, talvez milênios, nos dias atuais
os gêneros, com todas as restrições que se possam fazer, vão resumir-se em: a)
textos em versos, ou gênero poético (ora mais lírico, ora mais épico); b)
textos em prosa: romance, novela, conto; c) texto dramático; comédia, drama e
tragédia.
Há uma tendência contemporânea para a dissolução dos limites
entre os gêneros, havendo prosa poética, por exemplo, em que se abole a
narrativa, que era característica do texto em prosa.
O romance, como gênero narrativo, conta com elementos, senão
obrigatórios, pelo menos essenciais, que poderão ser descritos em outra
oportunidade. Ele é constituído de um conflito nuclear, rodeado de conflitos
secundários, mas todos imbricados com o conflito central. São as histórias de
maior extensão.
A novela, segundo alguns teóricos, é formada por conflitos
sucessivos e apenas justapostos, sem que as ações do primeiro conflito
impliquem o segundo. Como exemplo a novela Noite, de Erico Verissimo.
Como conto, entende-se o texto curto, conflito único, com
extrema economia de meios. A linguagem é mais tensa e aproxima-se da poesia.
Não se pode dizer que a extensão seja o único critério para a classificação do
conto, mas não há dúvida de que é o critério principal.

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