Literatura: o que é isso?
Por MENALTON
BRAFF – LITERATURA
04/03/2016 –
No século XIX, a maior importância de um texto literário em prosa recaía no
enredo. Como os fatos se articulavam, como eram resolvidos os conflitos, e os
romancistas da época eram extremamente hábeis nessa urdidura. Já em fins desse
século, com o início do Realismo, os fatos perdem importância, assumindo a
primazia em uma obra a personagem. Em lugar do fato, agora o que mais interessa
é como a personagem é construída e como é afetada pelo fato. É o início do que
se convencionou chamar de romance psicológico. Está claro que tal tendência
deve-se principalmente ao desenvolvimento das ciências da mente. Pode-se dizer,
por exemplo, que Freud tem alguma responsabilidade por isso.
No decorrer
do século XX, o fulcro da literariedade, entretanto, vai mudando de lugar. E
cada vez mais, a linguagem assume o papel principal nessa história. O tipo de
discurso, os recursos de retórica
empregados, e que são essenciais à linguagem poética, são também exigências (não tão radicais como na poesia) na prosa literária.
empregados, e que são essenciais à linguagem poética, são também exigências (não tão radicais como na poesia) na prosa literária.
Entre as
figuras, algumas das mais empregadas, estão:
Metáfora –
uma palavra (substituta) é empregada no lugar de outra (substituída)
Ex.: “Três
entes respiram sobre o frágil lenho que vai singrando veloce, mar em fora.” por
barco – Iracema, de José de Alencar
Aliteração
– a repetição de sons consonantais.
Ex.: “… com talento de braços executavam, leigos,
ledos, lépidos.” – Primeiras estórias, de J. Guimarães Rosa
Metonímia –
entre a substituta e a substituída, existe uma relação real, que pode ser o
efeito pela causa, a parte pelo todo, o lugar pelo produto, a matéria pelo
artefato, e assim por diante.
Ex.: “… a
aventureira se enamorou do redator de um jornal, que não tinha vintém…” por
fortuna. – Relíquias de casa velha, de Machado de Assis
Sinestesia –
cruzamento de sentidos ou apenas a troca de um por outro.
Ex.: “… o do
café aquecia…” O cortiço, de Aluísio Azevedo.
E muitos
outros recursos como a prosopopeia, a ambiguidade, o eufemismo, a antítese, a
elipse, a ironia etc.
Lembremo-nos,
mais uma vez, que o texto literário, antes de ser comunicação, é expressão e,
como tal admite sempre mais de uma leitura. Isso entretanto, não significa
qualquer leitura. Por essa razão é que se trata de um tipo de discurso em que
cabem omissões (daquilo que fica para o leitor preencher, cabem os sentidos contrários ao que está
dito, o caso da ironia, cabem duplos sentidos, como na ambiguidade).
Tais
recursos de retórica comparecem em maior ou menor quantidade no texto
literário, dependendo do domínio que escritor tenha sobre eles e de sua
inclinação maior ou menor para a linguagem poética.

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