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quarta-feira, 20 de julho de 2016

CANTIGAS DE AMIGOS


A NOVA SINTAXE (Claudio Willer)

a liberdade de nunca mais sair daqui 

quando a vida se condensa em um movimento

é igual àquela outra vez, há tanto tempo, havia um enorme luminoso

no topo do prédio perto do cais do porto piscando vermelho,

iluminando e apagando-se em sucessões de claro-escuro na água-furtada do casarão, pé direito alto, passei a noite toda com ela, é
claro que pelo prazer, também pelo vento fresco de mar entrando pelos enormes vitrôs, por ser desproporcional o espaço todo, hipnótico com aquelas luzes vermelhas fazendo-nos brilhar em intervalos de segundos ao rebaterem sobre nossos corpos

no êxtase animal reencontramos a parcela do divino em nós
lençóis, segmentos da eternidade
sentimos sede, é quase meia-noite
confundimo-nos, a nós e o sonho

eu me lembro dos rios, do seu olhar, das montanhas que derretem como manteiga ao sol,
eu me lembro da hora do relâmpago e do trovão, dos cálices, das caras, da planície desarvorada,
eu me lembro dos doces arpejos da poesia do inconsciente,
eu me lembro de tumultos atrás de portas semicerradas

- marcar um novo encontro, na próxima quarta-feira


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