SANTA TERESA DE JESUS
(*)Ely Vieitez Lisboa
Por acaso pedi
que em minha vida entrasses
vento benéfico perfumando
o mais recôndito vazio
Eu te permiti fazer de minhas mãos
conchas pejadas de pérolas, desejos novos
que purgatório já se habituara ser?
da carne adormecida
em casta hibernação?
Disse-te que podias fazer
de minha alma borboleta
se antes crisálida fora
feia, embotada
casulo cinza de nenhum
jamais possível sonho novo?
Não te falei que perdera
todos os segredos dos cofres
do sentimento?
E vieste assim, intempestivo
como um
deus, como um homem
que conhece
o chão jamais pisado.
Possuíste
minha alma
feudo
cerrado
e nela
puseste teu selo
de dono
remido.
Depois
partes, te vais
sem culpa,
remorsos, zelo
pelo reino
destruído?
Nada
entendo. A quem minha rebeldia?
Só sei, no
desalento derradeiro
Que muero
porque non muero!
(*)Poema do livro Replantio de Outono, Ely Vieitez Lisboa,
Funpec Editora-2008.

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