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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

ESPIANDO POR DENTRO

Livro Analisado: Amor de Perdição
Autor: Camilo Castelo Branco (1825-1890)          

A Obra

Levando vida de boêmia e peraltice na cidade grande, Simão é chamado de volta para a aldeia onde vivem seus pais.

Apaixona-se por uma vizinha, filha de um inimigo de seu pai. Ele é um Botelho e ela uma 

Albuquerque (reedição dos Capuletos e Montechios).

Teresa está prometida a um primo seu (Baltasar Coutinho), sujeito de mau caráter.

Ao se recusar ao casamento com o primo, Teresa provoca a ira de seu pai que a prende no convento de Monchique, Porto.

Inconformado, Simão arma um encontro com Baltasar e acaba matando-o.

Ferido, abriga-se na casa de um ferreiro, sendo tratado por Mariana.

Mariana toma-se de amores pelo jovem fidalgo. Sabendo de seu amor por Teresa, sacrifica-se em benefício da felicidade do amado. Com a morte do próprio pai, Mariana faz-se uma espécie de serva de Simão, seguindo-o a toda parte.

Preso e condenado à forca, seu próprio pai reluta em interceder por ele, comutando tal pena e transformando-a em pena ao degredo.

Embarcado em navio, assiste à morte de Teresa (quando ela desmaia) e quatro ou cinco dias depois fica sabendo que ela realmente morrera no convento.

Dez dias mais tarde, tomado de uma febre maligna, morre Simão sendo jogado ao mar, aonde vai também Mariana voluntariamente.

Considerações

- Uma das mais altas expressões do amor-paixão.

- Desenvolvimento do amor transfigurador: Simão um peralta, que vive nas piores companhias, redime-se e se torna um homem digno, com alma de poeta.

- Desenvolvimento do amor renúncia: Mariana facilita a comunicação entre Simão e Teresa.
"- Pois Nossa Senhora vá na sua companhia - tornou ela, saindo logo para esconder as lágrimas."

- Denúncia do atraso da fidalguia e burguesia provincianas. (Orgulho pelo brasão). "... e as librés dos criados as mais surradas e traçadas que figuravam na comitiva." Capítulo I "Em que século estamos nós nesta montanha?"
"... a recepção dos sinos era a mais estrondosa e barata."

- Conflito entre o amor e o preconceito de pais inflexíveis, desumanos no seu orgulho.
"- Não desobedeço; o coração é mais forte que a submissa vontade de uma filha."

- Marcas do romantismo - além das já enumeradas:
  • - heróis idealizados
  • - narrativa acelerada
  • - amor platônico (que só se pode realizar no além) amor impossível "O que ele pedia era falar-lhe da rua para a janela do seu quarto, e receava impossível este prazer, que ele avaliava o máximo."
  • -linguagem apaixonada, envolvida com as personagens "Em vivo fogo ardia aquela cabeça!"
  • - herói romântico: "Quis parecer a Simão Botelho que este era o digno porte de um amante corajoso." - só ama quem tem coragem - heroína romântica: "...moça de vinte e quatro anos, formas bonitas, um rosto belo e triste."

A respeito de Mariana
  • - O milagre. Entre várias outras passagens: "- Pois, senhor, eu devo um
  • favor a seu pai..."
  • A respeito de João da Cruz, pai de Mariana.
  • - Maniqueísmo: Simão x Baltasar
  • - Fragilidade feminina: "Mariana, a filha de João da Cruz, quando viu seu pai pensar a chaga do braço de Simão, perdeu os sentidos, ..."

O autor:

Vida tumultuada, repleta de lances aventureiros (adultérios, fugas de credores, prisão).
Transcreve para seus romances o tipo de vida que levou. Pressionado por dívidas, vê-se forçado a escrever continuamente. Assiste ao surgimento da nova estética e tem duas atitudes: adesão momentânea, crítica virulenta contra realismo/naturalismo.
Cansado, doente, sente aproximar-se a cegueira: suicida-se com um tiro de revólver.


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