Páginas

terça-feira, 8 de maio de 2012

O VELHO E O MAR (2)

FIM DE TARDE

Pág. 15 - "Foram buscar a tralha do braco. O velho pôs o mastro às costas e o rapaz pegou na caixa de madeira que continha os rolos da dura linha entrelaçaca, no gancho e no arpão."
"Seguiram juntos pela rua em direção à cabana do velho e entraram pela porta que estava sempre aberta. (...) Dentro só havia uma cama, uma mesa, uma cadeira, e um canto no chão sujo, onde se podia cozinhar a carvão."
(...)
Pág. 17 - "- O que você tem para se comer? perguntou o rapaz.

- Uma panela de arroz com peixe. Quer provar?
- Não. Comerei em casa. Quer que acenda o fogo?
- Não, não é preciso.
- Posso levar a rede?
- Naturalmente.
Não existia nenhuma rede e o rapaz se lembrava muito bem do dia em que a tinham vendido. Mas esta era uma cena que repetiam todos os dias. Também não havia nenhuma panela de arroz com peixe e o rapaz também sabia disso."
(...)

Segue extensa cena dramática em que o assunto principal é o baseball. Então derivam para loteria.

Pág. 20 - "- A mim também me emprestavam. Mas não quero pedir emprestado a ninguém. Primeiro pede-se emprestado. depois pede-se esmola.
- Não se deixe arrebatar, meu velho, acalmou-o o rapaz. Lembre-se de que estamos em setembro.
- O mês dos peixes grandes, replicou o velho. Em maio, todos podem ser pescadores.
- agora vou apanhar as sardinhas, disse o rapaz."
"Quando ele voltou, mais tarde, o velho Santiago estava dormindo e o sol já começava a baixar no horoizonte. O rapaz foi buscar a velha manta da cama e colocou-a sobre os ombros do velho. Eram uns ombros estranhos, ainda poderosos embora muito velhos, e o pescoço também era ainda muito forte. Não se lhe viam tanto as rugas quando estava dormindo assim, com a cabeça descaída para a frente. A sua camisa havia sido remendada tantas vezes que mais se assemelhava a uma vela, e os remendos, sob a ação do sol, tinham-se esbatido em diversos tons. A cabeça do velho era muito velha e, com os olhos fechados, não havia vida no seu rosto. Tinha o jornal estendido nos joelhos e o peso do braço impedia que a brisa da tarde o levasse. Estava descalço."

Observe-se a extrema objetividade do estilo de Hemingway. Ao descrever o velho Santiago, dá a impressão de apresentar apenas detalhes evidentes, sem nenhuma valoração pessoal. Mas é apenas uma impressão. A escolha dos detalhes já trai o narrador que se esconde por trás da narrativa.

Um comentário:

  1. Este é um dos meus textos de sempre. Senti-me aqui, neste espaço, como se estivesse dentro de um livro. Por isso fiquei e tornei-me seguidor.
    Parabéns pelo trabalho e pelo bem cuidado espaço.
    Abraço.
    Gilson.

    ResponderExcluir

http://twitter.com/Menalton_Braff
http://menalton.com.br
http://www.facebook.com/menalton.braff
http://www.facebook.com/menalton.braff.escritor
http://www.facebook.com/menalton.para.crianças