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sábado, 3 de janeiro de 2015

ENTREVISTA PUBLICADA NA PÁGINA LITERATURA RS (facebook)

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A entrevista a seguir foi concedida a Vitor Diel, do veículo "Literatura RS", página do Facebook que veicula notícias e agenda de eventos sobre a literatura produzida e editada no Rio Grande do Sul.

Com 21 livros publicados e dois outros no prelo, Menalton Braff é um escritor brasileiro em busca de um resgate pela sua origem gaúcha. Nascido em Taquara, em 1938, Menalton reside em São Paulo desde 1965, embora sinta-se "gaúcho como os que mais o são", em suas palavras. Foi São Paulo a terra que viu sua literatura florescer, crescer e acumular prêmios e indicações. Vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura na categoria "Livro do Ano - Ficção", em 2000; frequente finalista e semifinalista do Prêmio Portugal Telecom de Literatura; finalista do Prêmio São Paulo de Literatura por mais de uma vez; selecionado pelo PNBE em 2010; Menção Honrosa no 50º Prêmio Casa de las Américas, em Havana; o ex-professor de literatura Menalton tem um currículo admirável. Nesta entrevista, o autor fala sobre obra, mercado, escrita, Brasil e Rio Grande do Sul. Confira!

P: Você acha que sua residência em São Paulo há tantos anos o afasta do círculo literário de sua terra natal?

R: Claro que até certo ponto fico alheio aos acontecimentos e notícias da Porto Alegre literária. Mas tenho por aí alguns amigos, como o Luís Dill, o Caio Riter, a Cíntia Moscovich, o Charles Kiefer, o Henrique Schneider, o Jari da Rocha. As notícias que me chegam são escassas, então fico meio solteiro nesta história.


P: Suas primeiras obras foram publicadas em 1984, ano seguido de um hiato que se estendeu até os anos 2000, quando sua produção estourou em prêmios e indicações. Por que esse intervalo?

R: Foi o tempo do aprendizado. Muita leitura de textos metaliterários e textos literários. Foram mais de dez anos em que pouco escrevi, mas devorei o que pude de teoria e literatura. E o que escrevia, quase tudo, jogava no lixo, inconformado com a qualidade. Ou não tinha consciência de que era um intervalo, nem me via publicando o que quer que seja. Mas sentia angústia pelo muito que não conhecia de técnicas narrativas, de teoria da literatura, e de obras literárias. Lia muito e com paixão, mas não imaginava o que eram as obras fundamentais da literatura universal.

P: Você publicou por diversas editoras de alcance nacional, como FTD, Bertrand Brasil, Nova Fronteira e Global. Como você construiu essa aproximação com tantas casas editoriais?

R: Eu trabalhei quase o tempo todo com agentes literários, que encaminhavam meus livros de acordo com seus conhecimentos das linhas editoriais. E isso tudo só foi possível depois de, publicado por uma pequena editora de Ribeirão Preto – que não existe mais – ter conquistado um Jabuti.

P: Há mais São Paulo ou Rio Grande do Sul no espírito de sua obra?

R: Segundo me parece, e não sou o melhor analista de minha obra, não há São Paulo nem Rio Grande do Sul. Como um ser desenraizado, minha tendência foi quase sempre não marcar tempo tampouco espaço: acronotopia, se é possível o termo de gosto bakhtiniano.

P: Como você avalia o mercado editorial do Brasil no momento?

R: Difícil. No Brasil lê-se pouco e mal, muito mal. As livrarias entopem suas prateleiras com auto-ajuda, Best Sellers de gosto duvidoso, e isso por uma razão muito simples: literatura, mas literatura mesmo, quase não se lê. As edições de escritores brasileiros são pequenas e demoram muito para desovar. Se o público não procura literatura, e falo em literatura como alta literatura segundo o conceito da professora Leyla Perrone-Moisés, ninguém quer arriscar seu capital com um artigo de pequeníssimo mercado. Mas então resta uma pergunta: fazer o quê, para reverter a situação? Não sei se a situação é reversível, mas nós, a maioria dos escritores brasileiros de literatura, continuamos escrevendo porque isso é um modo de nos mantermos vivos, de sentir que ainda há vida em nossas veias.

 

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