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quarta-feira, 29 de abril de 2015

CANTIGAS DE AMIGOS


O poema que segue é do Matheus Arcaro.

Silêncio

Não fere aos amantes
as frestas
entre as frases.


À língua em repouso
deita o desejo
que se dilata
até tocar o incontestável.

A ausência das palavras
é o palco dos olhos,
dos hálitos,
dos hábitos despidos.

Peles, pelos e peitos
postos em embaraço,
entrelaçados,
bêbados de presente.

Um espetáculo
em que as proposições
são expectadoras.
E aplaudem atônitas
a eloquência dos corpos.


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