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quinta-feira, 30 de abril de 2015

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (136)

Na postagem anterior introduzimos as considerações de Platão a respeito dos gêneros.

"Segundo Aristóteles, a matriz e o fundamento da poesia consistem na imitação: 'Parece haver, em geral, duas causas, e duas causas naturais, na génese da Poesia. Uma é que imitar é uma qualidade congénita nos homens, desde a infância (e nisso diferem dos outros animais, em serem os mais dados à imitação e em adquirirem, por  meio dela, os seus primeiros conhecimentos); a outra, que todos apreciam as imitações.'  A mimese poética, que não é uma literal e passiva cópia da realidade, uma vez que apreende o geral presente nos seres e nos eventos particulares - e, por isso mesmo a poesia se aparenta com a filosofia -, incide sobre 'os homens em acção', sobre os seus caracteres (ethe), as syas oauxões (pathe) e as suas acções (praxeis). A imitação constitui, por conseguinte, o princípio unificador subjacente a todos os textos poéticos, mas representa também o princípio diferenciador destes mesmos textos, visto que se consubstancia com meios diversos, se ocupa de objectos diversos e se realiza segundo modos diversos.

Fica bem clara a origem do conceito de ficcionalidade desenvolvido por René Welleck e Austin Warren, conceito dado como fundamental da linguagem literária. E nisso a literatura se diferencia, por exemplo, da linguagem jornalística. Esta está presa aos fatos, copia-os; aquela imita mas "não é uma literal e passiva cópia da realidade..."

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