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quinta-feira, 7 de julho de 2016

OS LIVROS DA VIDA DE MENALTON BRAFF

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Entrevista publicada no Blog  da Simone Magno

Com 23 livros publicados, o escritor gaúcho Menalton Braff, hoje radicado em Serrana (SP), acaba de lançar O peso da gravata e outros contos (Primavera Editorial), com 18 histórias, boa parte sobre realismo fantástico. Até o fim do ano manda para as livrarias mais um romance. Aqui, ele fala sobre suas leituras favoritas.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

MB – Meu primeiro livro eu li quando tinha cinco anos de idade. Foi O guarani, de José de Alencar. Parece mentira? Não é. A Edições Maravilhosas publicava clássicos da literatura brasileira em HQ. Eu tinha acabado de me alfabetizar e o livro veio parar no meu colo. Li e me apaixonei.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

MB – Olhai os lírios do campo (de Erico Verissimo), lido na adolescência, foi marca funda na minha formação moral. Aquele médico, que troca seu amor pela riqueza e as consequências disso nunca mais me saiu da lembrança. É o exemplo mais antigo de que me lembro e que me marcou.

SM – O que você está lendo agora?

MB – O homem sem qualidades, do Robert Musil, paralelamente a Crítica da crítica, do Tzvetan Todorov. O homem sem qualidades, um alentado romance de mais de 1.200 páginas, é desde o início sustentado por reflexões, discussões, sobretudo a respeito das relações entre Áustria e Alemanha. É um romance de pensamento cujas personagens, nobres, burgueses, intelectuais e até militares, refletem com muita propriedade sobre questões culturais, valores, costumes. O humor está presente em quase todas as páginas, mas não um humor fácil, de
imediato consumo, porque extraído quase sempre da ironia. Mesmo que a distância, a fabulação gira em torno de um evento com que se deverá homenagear o aniversário de Sua Alteza Imperial. Crítica da crítica faz um passeio muito agradável por diversas correntes críticas, antigas e modernas, discordando com alguns aspectos, concordando com outros. Nem uma crítica imanentista, como afirma Todorov, nem uma crítica engajada, em que a literatura é o aspecto secundário de uma obra. Ele se encaminha para uma síntese das correntes imanentista e sociológica. Sua linguagem não afetada por um cientificismo de iniciados me parece o ponto alto desta obra. Leitura fácil e prazerosa.

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