Entrevista publicada no Blog da Simone Magno
Com
23 livros publicados, o escritor gaúcho Menalton Braff, hoje radicado em
Serrana (SP), acaba de lançar O peso da gravata e outros contos (Primavera
Editorial), com 18 histórias, boa parte sobre realismo fantástico. Até o fim do
ano manda para as livrarias mais um romance. Aqui, ele fala sobre suas leituras
favoritas.
SM
– Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?
MB
– Meu primeiro livro eu li quando tinha cinco anos de idade. Foi O guarani, de
José de Alencar. Parece mentira? Não é. A Edições Maravilhosas publicava
clássicos da literatura brasileira em HQ. Eu tinha acabado de me alfabetizar e
o livro veio parar no meu colo. Li e me apaixonei.
SM
– Que livro mais marcou a sua vida?
MB
– Olhai os lírios do campo (de Erico Verissimo), lido na adolescência, foi
marca funda na minha formação moral. Aquele médico, que troca seu amor pela
riqueza e as consequências disso nunca mais me saiu da lembrança. É o exemplo
mais antigo de que me lembro e que me marcou.
SM
– O que você está lendo agora?
MB
– O homem sem qualidades, do Robert Musil, paralelamente a Crítica da crítica,
do Tzvetan Todorov. O homem sem qualidades, um alentado romance de mais de
1.200 páginas, é desde o início sustentado por reflexões, discussões, sobretudo
a respeito das relações entre Áustria e Alemanha. É um romance de pensamento
cujas personagens, nobres, burgueses, intelectuais e até militares, refletem
com muita propriedade sobre questões culturais, valores, costumes. O humor está
presente em quase todas as páginas, mas não um humor fácil, de
imediato
consumo, porque extraído quase sempre da ironia. Mesmo que a distância, a
fabulação gira em torno de um evento com que se deverá homenagear o aniversário
de Sua Alteza Imperial. Crítica da crítica faz um passeio muito agradável por
diversas correntes críticas, antigas e modernas, discordando com alguns
aspectos, concordando com outros. Nem uma crítica imanentista, como afirma
Todorov, nem uma crítica engajada, em que a literatura é o aspecto secundário
de uma obra. Ele se encaminha para uma síntese das correntes imanentista e
sociológica. Sua linguagem não afetada por um cientificismo de iniciados me
parece o ponto alto desta obra. Leitura fácil e prazerosa.
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