A orelha do livro "Na teia do Sol", de Menalton
Braff
Por Haroldo Ceravolo Sereza
Em 2004, Menalton Braff sugeriu ao editor Rogério Alves, da
Planeta, que eu poderia escrever a orelha do seu novo romance. Claro que
aceitei*.
Menalton foi um dos escritores mais interessantes que li no
período em que cobria literatura para o jornal O Estado de S. Paulo. Depois de
escrever a orelha, Rogério me confidenciou que eu era a segunda opção (longe de
ser um “sincericídio”, essa revelação era um tremendo elogio).
Menalton não apenas escreveu livros muito bons, foi também
um dos autores mais simpáticos que entrevistei. E olha que não foi numa
situação fácil: na primeira vez que nos falamos, eu tinha acabado de entrar no
jornal e não sabia quem ele era. Meu editor no “Caderno 2″, Evaldo Mocarzel,
havia almoçado com ele (que ganhara o Grande Prêmio Jabuti de 1999, salvo
engano) e pediu que eu o entrevistasse.
Corri pros arquivos, busquei em quinze minutos informações
básicas sobre ele e arrumei um mote pra conversa – um questionário que o
escritor João Condé aplicava a escritores na revista Cruzeiro, intitulado
“Arquivos implacáveis”.
Reproduzi o método de Condé com Menalton, que entrou no
jogo, respeitou minha ignorância sobre sua obra. A conversa foi muito bacana.
Depois da ótima conversa, fui ler seus livros, que não decepcionaram.
Reencontrei Menalton no mês passado, na Abralic (Associação
Brasileira de Literatura Comparada).
Republico abaixo a orelha da obra.
“Menalton Braff não é um escritor ‘da moda’. Seus livros
recusam os problemas mais óbvios do nosso tempo, as explicações fáceis, as
formas que seus contemporâneos desgastam com a facilidade de quem troca, todo
ano, de computador. De recusa em recusa, Braff segue um caminho próprio e
criativo.
O protagonista deste livro, Na Teia do Sol, é um militante
político, aparentemente forçado a se esconder, disfarçado de horticultor,
esperando que a repressão se enfraqueça para que possa retomar as rédeas de sua
existência.
Está alienado de sua vida e não consegue vislumbrar muito
bem os motivos que o levaram a esta situação. Cada carro que se aproxima, cada
avião que cruza o céu, cada latido do cão que não fala a sua língua é uma
ameaça à sua precária e, mais que isso, falsa liberdade.
Não é só o real aparente que persegue o narrador, de
codinome Tito, mas também a enchente de suas memórias – da própria estadia no
sítio, da prisão, dos pais, da namorada que deixou para trás, dos companheiros
que podem tê-lo traído, do terror de imaginar cenas pelas quais não se sabe se
passou ou se passará.
É o medo que move e, principalmente, paralisa Tito, assim
como a forma que Braff deu ao romance move, paralisa e angustia o leitor que
está diante de um livro que ousa e consegue transformar em literatura viva
matéria que parece não estar disponível aos criadores da estação.”
* Leia a orelha na página do livro.
* Leia a orelha na página do livro.

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