A morte do florista
A manhã estava fria e abafada ao mesmo tempo. Percebia que nesse ano, São Paulo havia resgatado seu cenário antigo de cidade da garoa, um ar londrino, comentavam. A névoa tornava os caminhos difusos. Naquela manhã, além da atmosfera nostálgica, havia um cheiro diferente, um perfume doce, muito forte, como se tivesse todo ele abandonado as flores, especialmente as rosas.
Encontrei a primeira jogada, desfalecida no passeio. Tinha certeza, a flor denunciava algo. O caminho estava mais silencioso que de costume, um silêncio sólido, sem gosto. Fui encontrando um rastro de rosas de todas as cores: o perfume no ar, a flor abandonada do seu cheiro no chão.
Meu coração palpitava diferente, eram muitas as rosas aniquiladas pelo caminho. Angustiava-me a possibilidade de não encontrar mais nenhuma na floricultura para que fosse encaminhada à minha
