terça-feira, 20 de novembro de 2018

RETALHOS

Nesta coluna Menalton lê trechos de seus livros já publicados. O título de hoje é o romance juvenil "Copo vazio", lançado pela FTD em 2010.

              

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

CARTAS DO INTERIOR

Esta coluna reúne crônicas inéditas de Menalton Braff.

A velhice da crônica


Durante algum tempo, como fazem cronistas precavidos, mantive um banco de crônicas. Era uma notícia de jornal, a lembrança fugaz, qualquer experiência do dia, que me arrancasse da rotina, tudo ia sendo transformado em crônica. Aquele banco de crônicas era meu sossego, minha garantia. Podia adoecer, sair de viagem, vagabundear, sem preocupação com a próxima crônica. Ela estava pronta, com todas as vírgulas, num arquivo do micro. Um conforto.

Mas o tempo passou e as necessidades modificaram-se. Não continuei alimentando o tal banco, que aos poucos diminuiu, mas que permaneceu com cerca de dez crônicas residuais, esquecidas no fundo do quotidiano.

Outro dia, por engano, abri a pasta onde as mantinha mofando. Então não resisti e passeei minha curiosidade pelo meio delas. Passeando, cheguei a pensar que algumas seriam aproveitáveis, porque, enfim, eram pedaços meus que fui largando ao longo do caminho. E, sem querer abusar do Machado de Assis, senti saudade de mim mesmo.

Reli uma primeira em que havia escrito: Mas acontece que, apesar de moribundo, o Celso Pitta de morto é que não tem nada. Muito vivo é o que ele é.

Vivíssimo. Ora, meu caro leitor, quem poderá estar ainda interessado nas mutretas de um ex-prefeito, mesmo que o seja de uma das maiores cidades do mundo? A crônica estava velha, ela sim, moribunda.

sábado, 17 de novembro de 2018

ENTREVISTAS QUE VOCÊ NÃO LEU

Há cerca de um ano, publicamos aqui no blog uma entrevista em que Menalton Braff respondeu a 36 perguntas. A publicação foi feita em três postagens, com 12 perguntas cada. Hoje vamos repetir a dose, só que agora as 36 perguntas serão postadas de uma só vez. Boa leitura!


      Como você se sente quando escreve?
Depende do que estiver escrevendo. Para citar um exemplo: Durante trinta e poucos anos tentei escrever o Na teia do sol. A emoção me bloqueava e não conseguia avançar. Eram lembranças muito dolorosas. Por fim, aliviado do teor autobiográfico do assunto, consegui prosseguir até o fim. Mesmo assim, foi um texto que em muitas passagens tive de parar com lágrima nos olhos e nó na garganta. Diferentemente, Moça com chapéu de palha foi um exercício de alegria. O distanciamento que se consegue entre autor e texto é muito importante.  O envolvimento real com o assunto pode causar as mais disparatadas emoções.

       Sempre foi assim, ou a sensação foi mudando ao longo dos anos?
Sempre foi assim, apesar de que com o caminhar com os textos, aprende-se certo controle sobre as emoções, mesmo quando se faz laboratório. Então, diria que o amadurecimento técnico e estético
auxilia no controle das emoções, que o Fernando Pessoa definiu tão bem em um poema: “só a que eles não têm.”  “O poeta  é um fingidor”,  não é mesmo?  

        Qual a sua relação com suas personagens? Já aconteceu de sentir paixão ou ódio por algum deles?
Toda personagem me provoca paixão, e, na pior das hipóteses, indiferença. Mesmo aquelas personagens que se poderiam classificar como “do mal” não conseguem me provocar ódio. E por uma simples razão: nada é mais difícil para mim do que julgar uma pessoa/personagem.

    
      Quando o livro acaba, você sente saudade das personagens?
Ah, sem dúvida. Por muito tempo ainda convivo com o povo que ficou preso no livro. Uns mais, outros menos, mas todos continuam me visitando quando deito e fecho os olhos para dormir. Muitos deles me tiram o sono.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

CONTOS CORRENTES

Este conto foipublicado originalmente na Antologia Solidária Barretos.


Arranhaço, Arrranhisso


(Luiz Felipe Nunes)

Ao que parece, não se sabe como se raspa esse verniz da normalidade que nos atira a limites nunca antes excedidos (nem deveriam). Sabe-se mais ou menos quando, mais ou menos por quê. Do prosaico simples, nos tornamos chama intensa da euforia e do desalento, fulgurando com força, sem vetor, até que, no olhar, a chama se apaga.

É o que consigo pensar no momento. Registrar é eternizar; logo eu, que não me lembro do que almocei.

Os olhos. A amoreira. As micróglias. A voz. Meu tio. Os outros. Eu mesmo. Essas poesias em forma de aranha. Vontade de morrer, de sumir; agora já não sinto mais, mas não encadeio o pensamento. Não sei o que veio antes – do estava falando. Sei que queria muito fazer algo. Era essencial. Vital. Mas o quê, Deus?

Para as bactérias do meu corpo, eu sou Deus. Talvez em algum tipo tosco de autodestruição. Mas divino, o todo pra elas.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

AMOR PASSAGEIRO JÁ ESTÁ NO PRELO

Solidão, relações familiares, amor, descaminhos, o olho da morte, sátira de costumes, incomunicação são alguns dos temas tratados em contos realistas, alguns com traços do absurdo, e outros com alguma incursão no fantástico que estão reunidos na coletânea "Amor passageiro", de Menalton Braff.

O livro, que será a 25ª obra publicada do escritor, está no prelo pela Editora Reformatório e foi produzido ao longo de alguns anos. "Vou escrevendo e guardando", conta o autor, para quem "o conto nasce de um estalo" e, portanto, não pode ser limitado por qualquer preocupação editorial.

Essa escrita não planejada' faz com que "Amor passageiro", assim como os outros livros de contos do autor, apresente uma diversidade de temas, estilo, formas de expressão. "Suas motivações estão presas a certas circunstâncias variáveis, que não domino, que não escolho", revela Braff.

Para saber mais sobre "Amor passageiro", fique atento a este blog. Dentro de alguns dias, publicaremos uma entrevista especial com Menalton Braff antecipando alguns de seus aspectos literários e temáticos.

A data de lançamento  também será anunciada aqui e nas redes sociais. Fiquem ligados!

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

CANTIGAS DE AMIGOS

Poema publicado origialmente na Antologia Solidária Barretos.

Carpe Diem

(Luciano Adrade)

Quem vive a falar do amor, sofre por não tê-lo.
Assim como quem vive a orar para Deus, sofre por não conhecê-lo.
Não sofro mais por amor, o guardo com zelo,
E não me demoro com Deus, para não comprometê-lo.

Joguei meus sofrimentos na correnteza do desfiladeiro,
E nos dias presentes dei-me ao amor ambíguo,
Que de hora é amigo, hora amante ferrenho.
Amor é assim, não se abstém.
É complexo de sentimentos, que unidos lhe convém.