sábado, 28 de novembro de 2020

RETALHOS 2020 - CASTELO DE AREIA

RETALHOS 2020 é uma série de vídeos gravados por Menalton Braff para apresentar os seus 26 livros já publicados (existem inúmeros outros ainda inéditos). A obra que Menalton apresenta hoje é "Castelo de Areia", lançado em 2015, pela Editora Moderna.



sábado, 21 de novembro de 2020

RETALHOS 2020 - COPO VAZIO

RETALHOS 2020 é uma série de vídeos gravados por Menalton Braff para apresentar os seus 26 livros já publicados (existem inúmeros outros ainda inéditos). A obra que Menalton apresenta hoje é "Copo vazio", lançado em 2010, pela FTD.


sábado, 14 de novembro de 2020

RETALHOS 2020 - CASTELOS DE PAPEL

RETALHOS 2020 é uma série de vídeos gravados por Menalton Braff para apresentar os seus 26 livros já publicados (existem inúmeros outros ainda inéditos). A obra que Menalton apresenta hoje é "Castelos de papel", lançado em 2002, pela Nova Fronteira.

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

'UM PENSAMENTO' TERÁ ENCADERNAÇÃO MANUAL

O livro conta a história de Duque - um cachorro que ganhou sua casinha e, em suas páginas centrais, essa
casinha será apresentada às crianças de forma tridimensional.

A edição de UM PENSAMENTO está sendo cuidadosamente preparada pela  Editora PinCéu, que caprichou nos detalhes. A capa será de papel reciclado e o livro terá encadernação manual. 

Quem tiver intenção de adquirir o livro, deve ficar de olho porque a edição será de apenas 200 exemplares. O custo de cada exemplar será de R$63.

A PinCéu  nasceu em plena pandemia, e está de vento em popa. A editora  tem direção de dois veteranos no universo editorial: a ilustradora Semíramis Paterno e o poeta Lincoln Campos de Carvalho. 


quarta-feira, 11 de novembro de 2020

CANTIGAS DE AMIGOS

É ASSIM QUE PEGA

(Cláudio Willer)

2*

O poema que deixei de escrever em 1965:

As ruas são de ácido e os túneis estão em chamas
O pé é lisérgico
A mão é um mantra
As Índias Ocidentais ficam logo aí, basta dobrar a esquina
- nós somos as Índias Ocidentais

E eu também já escrevi assim:

sábado do continente imerso

domingo da cidade que respira
segunda-feira da poesia que me toca
terça do mundo que recomeça
quarta para ler um poema com ênfase
quinta do sono azul
sexta da sabedoria
sábado: todas as cores
da rapidez
da vertigem


*  Para ler a parte 1, ma 1, clique aqui

terça-feira, 10 de novembro de 2020

ORELHA

 Esta coluna reúne comentários de Menalton Braff a livros de outros autores.

Palavras coloridas

Jean-Paulo Sartre, na tentativa de dar resposta à pergunta “o que é isso, a literatura?”, acabou criando aquela metáfora simples e esclarecedora das palavras coloridas. Na linguagem informativa, a linguagem de todo dia, não vemos o vidro através do qual nos chega a realidade. Ele, o vidro, é transparente. Não é o que ocorre na literatura, em que o vidro está pintado e suas cores chamam a nossa atenção. Assim é a poesia do prosador e poeta Gilberto Abreu, que neste Lorca balada louca, sétimo livro de sua autoria, consegue, do início ao fim, manter o equilíbrio entre os dois planos de que se compõe a literatura: o plano da expressão e o plano do conteúdo. Já não se fala mais da neutralidade da palavra, e, mesmo quando colorida, ela é suporte de significação.

Desde Feto outonal, de 1975, passando por A minha primeira morte, ambos de poemas, seguidos pelo livro de contos Chão de mundaréu, de 1985, e pelos dois romances, Mande beijos a Gardel e Nossas roupas comuns dependuradas, pode-se entender como o carimba de sua marca o duplo objetivo: a fruição, a emoção estética, sem descurar uma aguda reflexão sobre nossas condições de seres humanos.

Nessa carreira que já lá vai pra mais de trinta anos, Gilberto Abreu foi amadurecendo seu estro, mas sem esquecer alguns princípios que sempre o nortearam.

Ele chega ao Lorca balada louca com muita experiência na bagagem, além de um dos mais importantes prêmios da literatura brasileira, o Prêmio Guimarães Rosa, conquistado com Mande beijos a Gardel. 

Neste livro, alternam-se ruptura e tradição. Há poemas de versos livres e brancos em meio a outros em que há traços de rima e métrica. Traços, porque não existe mais aquele rigor de usar fita métrica para versejar nem os esquemas rímicos seguem a tradição. E isso significa que a espontaneidade do verso substitui a camisa-de-força das técnicas de versificação. Mas não nos enganemos, a ausência de isometria não dispensa a unidade rítmica tensa dos versos, mesmo quando livres.

Considerando outras dimensões de sua poesia, o que se encontra neste Lorca balada louca, são homenagens a seus irmãos poetas, como Lorca, Octávio Paz, Drummond, e muitos outros. Do poema inicial do livro − Ode a Federico – são os versos Federico,/há em tudo, todo um lamento./Gritos ecoam nas sombras,/ vozes de mortos no vento... E é bem clara a alusão às tragédias da Guerra Civil Espanhola.

Há várias cidades citadas, todas elas, ou sua maioria, por terem recentemente testemunhado até que ponto pode chegar a brutalidade humana. O autor de Globalização pra quem? (2006), um livro de ensaios, é cidadão do mundo, tem consciência de que navegamos um barco diminuto, muito diminuto, para que nos preocupemos apenas com o fundo de nosso quintal. Da estirpe de um João Cabral de Mello Neto, por uma parte de seu projeto estético, a certa altura, quando pede à musa sua frauta, doce avena, ele diz:

Um cântico

que soe metálico

que aborreça

que acorde os homens

não que os adormeça.

(...)

E ainda sobra espaço para falar daquela Bárbara, a Heliodora, a quem, da prisão, Alvarenga Peixoto, seu marido e um dos inconfidentes, enviou os versos com que eternizou sua memória.

Este livro do Gilberto Abreu é um passeio pelo mundo contemporâneo, um périplo pela cultura universal, numa carruagem toda colorida que se chama poesia.

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

CARTAS DO INTERIOR

Esta coluna reúne crônicas de Menalton Braff. 

Negócio de eleição


Me criei ouvindo dizer que a eleição dos mandantes de uma nação está na base da democracia. Hoje me parece que “eleição” e “democracia” são palavras tão genéricas que perdem muito de seu significado. Eleição de que modo? Democracia para quem?

Mas dando de barato os possíveis questionamentos a respeito desses dois conceitos, vamos aceitar que eleição é um processo virtuoso em que o cidadão transfere a outrem seus direitos civis, escolhendo, portanto, quem deverá gerir a coisa pública, claro, em seu nome. Portanto, os governantes só o são por delegação nossa, os cidadãos.

Ótimo. Para isso funcionar criaram-se instituições que se encarreguem da fiscalização de todo o processo. Há uns anos, na Bolívia, houve uma eleição em que o Presidente foi acusado de fraudar os resultados. Que instituição colaborou para a queda do Presidente? Ora, a OEA, Organização dos Estados Americanos. E o Evo Morales teve de se asilar no México, depois na Argentina, enquanto uma madama se autoproclamava presidente do país. Depois de algumas investigações, a OEA descobriu que não tinha havido fraude nenhuma, mas a fulana continuou na cadeira do presidente.

É legítima a ação e o poder da OEA? Bem, os Estados Unidos, um de seus membros, juram que sim, que a instituição serve pra isso.

Antes mesmo de começarem as eleições nos Estados Unidos da América, um dos candidatos, e atual presidente, declarou que se fosse derrotado é porque teria havido fraude nas eleições.

Então pergunto da minha humilde condição de cidadão de outro país membro da OEA, agora que o Trump perdeu as eleições para o Biden, a OEA promoverá uma intervenção nos Estados Unidos, botando no poder alguém de seu agrado? Só rindo, ante tanta hipocrisia!

Outra coisa é o sistema eleitoral lá deles. Vagas notícias de que ao se tornar independente o país, escolhendo o modo republicano de governar, os maiorais, que não soltam a rapadura de jeito nenhum, optaram por criar um colegiado de poderosos para que essa elite não eleita escolhesse um presidente. Só mais tarde, com a exigência popular de participação no processo de escolha, foi que criaram o sistema atual em que o povo vota mas são os grandes eleitores, herdeiros daquele primeiro colegiado de membros da elite, que vão escolher. O Trump já tinha avisado que ou se elegia ou apelaria para ser eleito pelo Supremo lá deles. E o Trump representa os grandes consórcios, a elite econômica do país, empresário que é, bem-sucedido, mas que nunca pagou Imposto de Renda.

Minha opinião: é tudo uma grande farsa, só falta uma lona encobrindo o país todo, 'a maior democracia do mundo'.