Quanto tempo da minha vida estava jogando fora por semana, por mês, por ano? Os resultados me deixavam os fios restantes de cabelo de pé, completamente pálidos
por Menalton Braff — publicado 03/05/2014 12:59
Houve um tempo, já um pouco distante, em que fui perseguido tenazmente por uma mesma pergunta. Também tive meus quinze segundos de fama, ouviu, Andy Warhol. E não quinze minutos, entendeu? Nas dezenas de entrevistas a que fui submetido, lá vinha ela. Já parecia que a quilometragem rodada por semana era o principal traço de meu caráter. Dezenas de vezes tive de responder que rodava mil e quinhentos quilômetros por semana. E isso não pareceria nada estranho aos repórteres se eu fosse um motorista profissional: era professor. Mas à força de tanta repetição, a pergunta começou a pegar significado. Repetitio mater sapientia est, dizia minha velha professora de latim, a dona Zilá, repetindo os romanos antigos, conceito que, nestas épocas em que a memória quase descendeu à condição de vício humano (como se fosse possível a sobrevivência sem ela), é bom que se repita de vez em quando.
