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sexta-feira, 21 de julho de 2017

CONTOS CORRENTES

Estranho homem vindo no vento*
(Caio Riter**)

            As roupas no varal ventavam em formações de partes de gentes desconjuntadas. Vento forte não antes visto — e, no repente, surgido — por aquelas paragens ainda governadas pelo desejo do Coronel Boaventura, que ia dando forma à casa de dois pisos lá para a entrada da vila, uma légua, mais ou menos, da praça da igreja. Um dia isto mudaria, mas naquele dia de ventania despropositada assim ainda o era. Quentume de vento não afeito àqueles dias de julho. Sopro que rodopiava a terra vermelha e tornava-se ardência nos olhos de quem nada esperava destes ares quentes em dias de feitura de frio. Janelas e portas no fechado para livrar porcelanas e outros mais dos filetes de poeira ensolarados.
            Maria Ana, no disparate de saia erguida, coxas brancas à mostra, pernas não mais tocadas por homem desde que o marido caiu do cavalo, cabeça batida em pedra, homem vegetal em cama de