(Hersch Basbaum* - Maio 2017)
“Sim frustrei-me em meus sonhos. Queria alcançar o status de abajur escandinavo, mas não consegui. Faltaram-me as asas esbranquiçadas de fôlego azul. Hoje choro lágrimas espessas de espermas atarantados. Nada mais há a fazer. Ateu definitivo que sou, não tenho a quem apelar. Resta-me a capacidade de amar, que não me foi roubada. Por isso escrevo”.
Foi assim que Frei Losango iniciou seu discurso de despedida. Dizia-se um dálmata esclarecido, pronto para divulgar textos de interesse da coletividade, Pois era assim que se julgava cumpridor de seus deveres patrióticos. Na verdade, lia seu último conto, trabalho de fôlego que havia terminado dias atrás. Era inédito, somente conhecido por sua esposa, a bela Estrofênia.
“Que sonho foi esse?”, perguntava-lhe a esposa. “São izidoros de Tutancâmon”, respondia o Frei, com altivez. A jovem, pressurosa mulher, vivia cuidando de seu jardim que estava espalhado por uma