Preciso abrir esta porta. Assim fechada a sala me sufoca.
Não suporto mais este ar quente e parado com cheiro de ausência. O que podemos
fazer com as nossas vidas. Ela disse. Mancha pequena de sol no meu caderno.
Dois sóis azuis por trás das lentes: O quadrado da hipotenusa é igual. Com as
nossas vidas. Não consegui olhar para o rosto dela. Androide equilibrado em
catetos e quadrados. Muito natural, naturalmente. E a fraqueza na boca do meu
estômago. Esta ânsia. E a sufocação da sala fechada. Gostaria de saber se ela
não sente. Eu vazio, na sala vazia com o cheiro de um tempo irremediável. Um
tempo sem eco. Capaz de pensar nas nossas vidas e na soma dos quadrados.
Blog de Literatura do escritor Menalton Braff, autor de 26 livros e vencedor do Prêmio Jabuti 2000.
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- A esperança por um fio
- Na teia do sol
- Que enchente me carrega?
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- Como peixe no aquário
- Copo vazio
- No fundo do quintal
- Na força de mulher
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sexta-feira, 20 de maio de 2016
UM CONTO PARA SEU FIM DE SEMANA
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