Blog de Literatura do escritor Menalton Braff, autor de 26 livros e vencedor do Prêmio Jabuti 2000.
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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
quinta-feira, 22 de março de 2012
REFLEXÕES SOBRE A FELICIDADE - TEXTO DE MÁRCIA TIBURI
Indústria cultural da felicidade
Discursos prontos vendem a ilusão de que ser feliz é acessível a todos na era contemporânea
Tornou-se perigoso o emprego da palavra felicidade desde seu mau uso pelas publicações de autoajuda e pela propaganda. Os que se negam a usá-la acreditam liberar os demais dos desvios das falsas necessidades, das bugigangas que se podem comprar em shoppings grã-finos ou em camelôs na beira da calçada, que, juntos, sustentam a indústria cultural da felicidade à qual foi reduzido o que, antes, era o ideal ético de uma vida justa.
A felicidade sempre foi mais do que essa ideia de plástico. Tirá-la da cena
hoje é dar vitória antes do tempo ao instinto de morte que gerencia a agonia
consumidora do capitalismo. Por isso, para não jogar fora a felicidade como
signo da busca humana por uma vida decente e justa, é preciso hoje separar duas
formas de felicidade: uma felicidade publicitária e uma felicidade filosófica.
A felicidade filosófica é a felicidade da eudaimonia, que desde os gregos significa a ideia da vida justa em que a interioridade individual e as necessidades da vida exterior entrariam em harmonia. Felicidade era o nome dado ao sentido da pensante existência humana. Estado natural do pensamento reflexivo, ela seria o oposto da alienação em relação a si mesmo, ao outro, à história e à natureza.
Márcia Tiburi
Discursos prontos vendem a ilusão de que ser feliz é acessível a todos na era contemporânea
Tornou-se perigoso o emprego da palavra felicidade desde seu mau uso pelas publicações de autoajuda e pela propaganda. Os que se negam a usá-la acreditam liberar os demais dos desvios das falsas necessidades, das bugigangas que se podem comprar em shoppings grã-finos ou em camelôs na beira da calçada, que, juntos, sustentam a indústria cultural da felicidade à qual foi reduzido o que, antes, era o ideal ético de uma vida justa.
A felicidade sempre foi mais do que essa ideia de plástico. Tirá-la da cena
hoje é dar vitória antes do tempo ao instinto de morte que gerencia a agonia
consumidora do capitalismo. Por isso, para não jogar fora a felicidade como
signo da busca humana por uma vida decente e justa, é preciso hoje separar duas
formas de felicidade: uma felicidade publicitária e uma felicidade filosófica.A felicidade filosófica é a felicidade da eudaimonia, que desde os gregos significa a ideia da vida justa em que a interioridade individual e as necessidades da vida exterior entrariam em harmonia. Felicidade era o nome dado ao sentido da pensante existência humana. Estado natural do pensamento reflexivo, ela seria o oposto da alienação em relação a si mesmo, ao outro, à história e à natureza.
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