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sábado, 20 de junho de 2020

À SOMBRA DO CIPRESTE

Saiba um pouco sobre a coletânea de contos À sombra do cipreste, de Menalton Braff, que foi escolhida como Livro do Ano pelo juri do Prêmio Jabuti 2.000. Quem fala sobre o livro é o próprio Menalton, em vídeo gravado pela Global Editora


              

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

CONTOS CORRENTES

O conto a seguir está na coletânea À sombra do cipreste, 'Livro do Ano' no Prêmio jabuti 2.000.

Adeus, meu pai


Portas e janelas mantêm-se fechadas desde o início da noite: o frio lá fora, rondando a casa, silencioso, enquanto na sala enfumaçada de vez em quando alguém abafa a tosse com a mão, pede um copo dágua, tenta espantar o sono. A mulher que até agora vem puxando o terço abre um pouco a janela da frente, respira a noite - sua cabeça escondida atrás da veneziana: não suporta mais o cheiro adocicado e murcho das flores, ela esclarece assim que retorna. 

Soltas no regaço, em repouso, as mãos de Ana, ásperas e rugosas, desde a véspera  irremediavelmente inúteis, não se movem. Há muito elas já vinham assumindo esta coloração baça de gesso, de maneira imperceptível porém progressiva, até que, esta madrugada, ao fitá-las através da fumaça, seus olhos sujos de pasmo e sono, ela diz para si mesma pois é, e eu continuo aqui, livre e sem razão. E suspira. Apreensiva. Mas, apesar do desconforto de ter a casa devassada por tantos olhos, com os vizinhos vasculhando seus cantos escondidos, ditando as providências, mudando lugares e horários, é um momento em que não gostaria de estar sozinha. E não está.

Pouco antes, um daqueles intrusos encostou-lhe delicadamente o assento de uma cadeira nas curvas das pernas, senta, criatura de Deus, porque ninguém pode ficar assim, de pé parada,  a noite toda. E ela sentou-se em silêncio, apalermada, o busto um pouco erguido demais para quem velava desde a

sábado, 3 de agosto de 2019

MENALTON NO SITE "HISTÓRIA DO DIA"

Acesse a publicação original

No dia primeiro de agosto, Menalton Braff teve sua história contada nas páginas do site História do Dia. A seguir, pulicamos o texto integral. 


Menalton Braff, vencedor do
Prêmio Jabuti, dedica seus
dias à literatura 


Lá na década de 70, em meio a rotina de trabalho, Menalton proferiu: “Vai chegar um dia em que vou ter meu tempo todo livre para a literatura”.

Liguei para marcar a entrevista. “Quando você pode?”, fui perguntando. “Olha, já faz alguns anos que eu acordo e pergunto para a minha esposa: ‘Qual domingo é hoje?’”.

Aquele tal dia chegou faz quase uma década. Ele não sabe exatamente quanto tempo, mas sabe que muitos livros já foram escritos na constância desses domingos rotineiros.

– Para mim, a literatura exige tempo. ‘Nas folguinhas eu escrevo’ não é minha experiência. Eu quero estar inteiramente disponível. Se eu pensar: tenho que levar uma carta no Correio, não escrevo.

Seu primeiro livro publicado por uma editora, “A sombra do cipreste”, que lhe rendeu o Jabuti, um dos principais prêmios de literatura do País, em 2000, não foi feito em dias de domingo, entretanto.

domingo, 10 de dezembro de 2017

ENTREVISTA

No domingo passado, iniciamos a postagem de uma entrevista com Menalton Braff. Ele respondeu 36 perguntas, que dividimos em três etapas. Hoje publicamos aqui a segunda parte.

Para quem não conhece, Menalton Braff é escritor, com 24 livros publicados e vencedor de vários prêmios, entre os quais o Jabuti  Livro do ano, em 2.000.  É romancista, contista e escreve também livros infantis e juvenis.

Para quem você escreve? Para você mesmo, para Roseli (esposa), para seus colegas escritores ou para o público?
Meu primeiro leitor sou eu mesmo, um cara enjoado que joga muito texto no lixo por não ter sido do seu agrado. O prazer da criação é ainda maior do que o prazer do consumo. Aliás, não costumo voltar muito aos textos já publicados. O maior prazer é o parto, é ver surgir algo que não existia, umas coisas que inventei: uma personagem interessante, uma combinação inusitada de palavras, um achado qualquer de alguma originalidade. A Roseli é minha segunda leitora. Muitas vezes ela torce o nariz para alguma coisa que eu tenha produzido e já sei que tenho de continuar trabalhando. O público, os outros leitores estão fora do meu controle. Não sei quem vai ler. Tenho poucos leitores (pelo menos sou fraco de vendas), o que me indica que minha leitura não agrada muita gente. Não posso fazer nada quanto ao público – Escrevo como sei escrever e ponto final.  

Quando está escrevendo, você pensa no impacto que causará nos leitores?
Não, não penso. Nem sei se causo algum impacto. Eu procuro fazer arte e para isso escrevo com minha cosmovisão sobre assuntos que me espantam ou me encantam, mas isso é uma necessidade

quinta-feira, 25 de maio de 2017

ENTREVISTAS QUE VOCÊ NÃO ASSISTIU

Logo depois de receber o Prêmio Jabuti, Menalton Braff foi entrevistado por Pedro Bial no programa Espaço Aberto, da Globo News. Para quem perdeu, uma nova oportunidade e para quem assistiu, uma chance de relembrar.

                                                       
            

sábado, 25 de março de 2017

VALE A PENA VER DE NOVO

Esta coluna reúne vídeos relacionados à obra de Menalton Braff. O que apresentamos hoje é uma adaptação do conto "O Relógio de pêndulo", produzido pela galera da Oficina Tela Brasil Ribeirão Preto.

O conto "O relógio de pêndulo" está publicado no livro "À sombra do cipreste", que deu ao escritor o prêmio Jabuti em 2.000 e já foi adaptado, também, pelo programa "Contos da Meia-Noite", da TV Cultura.

O vídeo que escolhemos para hoje já foi postado outras vezes neste blog, mas sempre há aqueles que ainda não ainda não viram e os que gostariam de assistir novamente.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

PARA LER NO CARNAVAL 2

Dando prosseguimento à série "Para ler no Carnaval", publicamos hoje "Anoitando", do livro À sombra do Cipreste, que deu a Menalton Braff o Prêmio Jabuti 2.000.

Anoitando 

- Satisfeita? - insiste Gaspar.
Confusa, Jandira ergue os ombros. Sorri. Responder o quê? Ainda há pouco era-lhe um estranho, sem história ou nome. Chegara de súbito com a promessa de transformar sua vida, antes mesmo de qualquer revelação. Sua presença é incômoda. Desprende-se de seus braços, tenta afastar-se.
Densa e macia a sombra começa a descer dos telhados vizinhos para inundar o quintal. Como remoto silêncio de um ermo escorrendo.
- Sei que há muito o que fazer, mas quando se tem por onde começar...
Interrompe-se desolado. Embaraço a esconder. Olha em volta, seu território, imagina a vida ali, transcorrente.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

MENALTON FALA

Esta coluna reúne depoimentos do escritor Menalton Braff sobre as circunstâncias em que nasceu a ideia de cada um dos 23 livros que publicou até o momento.

Castelo de areia é seu mais recente romance para adolescentes e tornou-se finalista do Prêmio Jabuti na categoria Juvenil.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

'A CIDADE ON' NOTICIA CLASSIFICAÇÃO DE CASTELO DE AREIA NO JABUTI

Escritor de Serrana concorre mais uma vez ao Prêmio Jabuti
Menalton Braff lançou o romance infanto-juvenil 'Castelo de Areia' no ano passado

25/10/2016 08:53
ACidade ON   Regis Martins

Tema de 'Castelo de Areia' surgiu das observações de Menalton em sala de aula


Um livro que trata da homossexualidade na adolescência colocou mais uma vez o escritor Menalton Braff entre os finalistas do concurso literário mais famoso do Brasil.

Com ‘Castelo de Areia’, lançado no ano passado pela Editora Moderna, o gaúcho radicado em Serrana emenda seu quinto título na lista dos candidatos ao Prêmio Jabuti.

Em 2000, Menalton conquistou o prêmio com ‘À Sombra do Cipreste’ e, em outras edições, outras três obras dele alcançaram a condição de finalistas: os romances ‘Tapete de Silêncio’ (finalista em 2012), ‘A Muralha de Adriano’, (2008) e o livro de contos ‘A Coleira no Pescoço’ (2007).

“Foi algo que me pegou de surpresa porque eu nem sabia que o livro estava concorrendo. Me avisaram pelas redes sociais”, diz Menalton, sobre a lista publicada semana passada.

A cerimônia de entrega da 58ª edição do prêmio será realizada no mês que vem no Auditório

sábado, 22 de outubro de 2016

'CASTELO DE AREIA' NA FINAL DO JABUTI

FINALISTA NA CATEGORIA JUVENIL                          

O romance juvenil "Castelo de areia", lançado em 2015 pela Editora Moderna, está entre os finalistas do Prêmio Jabuti 2016

O livro aborda a questão da homossexualidade, focalizando a aceitação das diferenças e já havia conquistado, em abril,  o selo "Altamente recomendável" da FNLIJ - Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil para 2016. 
"Dois garotos se conhecem na escola e do convívio nasce um sentimento que ultrapassa a amizade. Mas um deles já sente atração por uma menina desde criança. A história se passa em uma cidade, para onde o pai de um dos garotos, que é gerente de banco, vai substituir temporariamente um colega recém aposentado.  Amor, paixão e amizade estão em jogo no romance." 

Este não é o primeiro livro de Braff que chega à final do Jabuti. Em 2.000, "À sombra do cipreste" conquistou o título de livro do ano

Além disso, outros quatro títulos alcançaram a condição de finalistas: 

Tapete de Silêncio, romance, Global Editora/2011 - Finalista Jabuti 2012.
A Muralha de Adriano,  romance, Bertrand Brasil/2007 - Finalista Jabuti 2008.
A coleira no pescoço, contos, Bertrand Brasil/2006 - Finalista Jabuti 2007.   

Para saber mais sobre "Castelo de areia", acesse a página do livro neste blog.

A relação dos finalistas está no site do Prêmio Jabuti


'CASTELO DE AREIA' NA FINAL DO JABUTI

FINALISTA NA CATEGORIA JUVENIL                          

O romance juvenil "Castelo de areia", lançado em 2015 pela Editora Moderna, está entre os finalistas do Prêmio Jabuti 2016

O livro aborda a questão da homossexualidade, focalizando a aceitação das diferenças e já havia conquistado, em abril,  o selo "Altamente recomendável" da FNLIJ - Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil para 2016. 
"Dois garotos se conhecem na escola e do convívio nasce um sentimento que ultrapassa a amizade. Mas um deles já sente atração por uma menina desde criança. A história se passa em uma cidade, para onde o pai de um dos garotos, que é gerente de banco, vai substituir temporariamente um colega recém aposentado.  Amor, paixão e amizade estão em jogo no romance." 

Para saber mais, acesse a página do livro neste blog.

A relação dos finalistas está no site do Prêmio Jabuti

Este não é o primeiro livro de Braff que chega às finais do Jabuti. Em 2.000, "À sombra do cipreste" conquistou o título de livro do ano

Além disso, outros quatro títulos alcançaram a condição de finalistas: 

Tapete de Silêncio, romance, Global Editora/2011 - Finalista Jabuti 2012.
A Muralha de Adriano,  romance, Bertrand Brasil/2007 - Finalista Jabuti 2008.
A coleira no pescoço, contos, Bertrand Brasil/2006 - Finalista Jabuti 2007.   



sexta-feira, 18 de março de 2016

UM CONTO PARA SEU FIM DE SEMANA


O voo da águia* 

Quando ele me agarrou pelo braço (manchas roxas, ainda, de seus dedos magros) e me puxou dizendo preciso conversar com alguém, os primeiros letreiros de néon começavam a piscar dentro de seus olhos opacos. Então tive o pressentimento de que a noite em breve estaria vertendo do manto da garoa fina que esfumava as altas silhuetas dos edifícios no centro da cidade. Gesto brusco, um safanão: meu susto. É uma ponte, é só uma ponte, ele repetia enquanto me empurrava para dentro do bar. Apesar de trêmula, hesitante talvez, sua voz escura não admitia resistência, pois subia-lhe das regiões viscerais, onde tudo é urgente e inapelável. Entrei me perguntando de que recanto esquecido da minha vida surgiam agora aqueles traços familiares que descobri por baixo de tanta ruína.
As garrafas de cerveja vazias sobre a mesa e o cinzeiro transbordante eram os vestígios deixados pela tocaia de longas horas acontecida naquele canto de sala. A vida e os transeuntes, por certo, tinham desfilado desapercebidamente por trás das sujas vidraças da janela que dava para a calçada. A

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

DEGUSTAÇÃO 10 - À SOMBRA D CIPRESTE


No último dia do ano, oferecemos a você o primeiro conto do premiado À SOMBRA DO CIPRESTE, editado inicialmente em 1999, pela Palavra Mágica, e em 2011, pela Global. A obra deu a Menalton Braff o Jabuti de melhor livro, em 2000.

Para saber mais, visite a página do livro aqui no BLOG DO MENALTON.

À sombra do cipreste - Menalton Braff

À sombra do cipreste

Pronto. Agora eles começam.
Por que esta necessidade de  fingir que são os nossos antepassados, repetindo gestos, assuntos, e até mesmo aquela maneira obscena de confiar no futuro, como se fossem eternos? A esta hora, a família toda já se dispersou. Os mais velhos, meus filhos, cabeças pesadas de neve e sono, subiram as escadas bocejando e arrotando, mas discretamente, como lhes ensinei há mais de cinqüenta anos. Ao redor da mesa, ficaram apenas estes rapazes que adoram deglutir as tardes de domingo discutindo a bolsa, o campeonato de fórmula um - ou qualquer outro campeonato - contando anedotas picantes, mentindo sobre os respectivos sucessos. Eles  competem sempre, sem descanso. Mesmo quando o tema é dos mais banais, eles se atracam como se disso dependesse a própria sobrevivência. Hoje, por causa do noticiário, eles disputam com furor a respeito da morte. Enquanto isso, lá do jardim, sobe a algazarra de seus filhos, soltos como pardais.
Mesmo de olhos fechados, eu sei que as cortinas vão balançar brandamente, agora, e que a sombra do cipreste, então, vai descer pela janela para aparecer com timidez no tapete, rastejante. Todos os

sábado, 31 de outubro de 2015

VALE A PENA VER DE NOVO

"À sombra do ciprste" deu a Menalton Braff o Prêmio Jabuti 2.000. No vídeo a seguir, gravado pela Global Editora, o escritor fala sobre a linguagem impressionista dos contos e como o livro foi gestado ao longo de mais de dez anos.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

MENALTON BRAFF COMENTA O SEU PREMIADO "À SOMBRA DO CIPRESTE"

Publicado inicialmente pela Palavra Mágica, em 1999, "À sombra do cipreste" deu a Menalton Braff o Prêmio Jabuti 2.000, na categoria Livro do ano.
 
A edição atual foi lançada em 2011, pela Global Editora.
 
 
Veja o que diz o autor sobre sua mais famosa coletânea de contos.



sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

UM CONTO PARA SEU FIM DE SEMANA

Conto do livro À sombra do cipreste, vencedor do Prêmio Jabuti 2.000. A edição atual é da Global Editora.
     
O relógio de pêndulo


Cumprimenta-me como se não me visse, como se o vulto parado à sua frente, na porta, fosse um objeto fora de lugar, jornal velho esquecido sobre uma cadeira. Seus olhos devassam ansiosos cada um dos desvãos da sala, procurando uma face, uma sombra, qualquer ângulo que lhe devolva o passado perdido, que lhe dê  a certeza de haver chegado ao termo de sua viagem. Apesar da aba do chapéu, que lhe ensombrece o rosto, percebo logo os sulcos profundos gravados em sua testa pelas léguas de estrada: é Abelardo, meu irmão mais velho, só pode ser ele, o mito familiar. Seus lábios finos e ressecados, por fim, abrem-se num quase sorriso: pendurado na parede desbotada, ele acaba de descobrir, marcando o tempo, o velho relógio de pêndulo, que, daquele mesmo lugar, outrora, costumava interromper, rabugento, sua participação nos serões da família.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

UM CONTO PARA SEU FIM DE SEMANA

Conto publicado no livro "À sombra do cipreste", editado em 1.999 pela Palavra Mágica e vencedor do Prêmio Jabuti 2.000  daquele ano. A edição atual é da Global Editora

Paisagem do pequeno rei                                                                                    
Mastigando ainda restos do desjejum, sem pensamento nenhum em sua cabeça, Juninho levantou-se da mesa e grudou a testa no vitrô fechado: seu modo de espiar aquele mundo que se mantinha escondido por trás das paredes. Pela boca aberta em cilindro, divertiu-se algum tempo expelindo o bafo quente com que embaçou pequeno círculo na vidraça transparente. E meio que riu, satisfeito com tal poder, o de cobrir a parte que quisesse do terreiro com sua cerração, aquele bafo que lhe subia do peito. Para além da janela, no fundo, a inundação de azul de um céu despenhadeiro: uma vertigem. Bem ao fundo, a inundação de azul, onde um rebanho de alvos cirros se deixava singrar por alguns pontos pretos movediços - pequenos e trágicos pontos finais - que, uns atrás dos outros,  desenhavam largos e lentos círculos. Alheio ao significado do que ultrapassava os muros de seu terreiro, o menino desenhou, com a ponta do dedo, um grande jota arredondado: exercício necessário da própria afirmação. No gancho da letra, seus olhos enquadraram, no recanto mais afastado do terreiro, o imenso flamboiã de tronco rugoso, já meio decrépito, no exato momento em que um bando de maritacas marulhentas alçou vôo e mergulhou no céu, deixando a árvore, com seus galhos retorcidos, inteiramente desfolhada.