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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

VISITA À CADEIA AINDA REPERCUTE

Publicamos, a seguir, trechos da reportagem do jornal A Cidade sobre a roda de leitura, na cadeia de Araraquara, que contou com a participação de Menalton Braff.

Legenda da foto: 
O escritor Menalton Braff
 durante roda de leitura
 da qual participou no Centro de
 Ressocialização de Araraquara: 
‘foi bom demais o encontro 
que tive com eles’ 
(foto: Marcos Leandro / Divulgação)
Clique aqui para acessar o texto completo.

No Dia Nacional do Livro, projetos de leitura atendem detentos de Ribeirão

Jornal A Cidade / Regis Martins

Ontem (29), Dia Nacional do Livro, a população carcerária de Ribeirão Preto ganhou de presente dois projetos de leitura que vão atender as penitenciárias feminina e masculina. A Fundação Palavra Mágica e a Funap (Fundação Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel) lançam “Clubes de Leitura” e “Você é o Escritor!”, dirigidos aos mais de 1.500 detentos da cidade.

A exemplo do que ocorre nas unidades de Serra Azul, Jardinópolis e Araraquara desde 2009, cada clube de leitura terá, em média, entre 15 e 20 participantes, que vão ler um livro a cada duas semanas e ter um encontro quinzenal. Já “Você é o Escritor!” busca estimular a verve criativa dos presos....

Premiado com Jabuti já participou

Quem viu de perto os bons resultados de projetos como o “Clube de Leitura” foi o escritor Menalton Braff, Prêmio Jabuti de 2000. Ele foi convidado a participar de uma roda de leitura no Centro de Ressocialização da Penitenciária de Araraquara e ficou surpreso com o que viu.

“Os detentos leram meu livro ‘Que Enchente Me Carrega?’ e, ao descobrirem que eu era da região, queriam me conhecer de qualquer jeito. Foi bom demais o encontro que tive com eles”, lembra.

Durante 2h, Menalton falou sobre a obra, ouviu depoimentos de seus leitores e respondeu a várias perguntas.

“Você não imagina as observações que eles fizeram do livro, que tecnicamente, não é de fácil leitura. Fiquei encantado com o nível de entendimento deles”, ressalta o escritor, que diz ainda ter saído de Araraquara “com orgasmos”.


“Temos uma visão preconceituosa deles. Lógico que estão lá porque cometeram algum delito, mas eles também são gente, são inteligentes e argumentam muito bem”, afirma. 

Nos links seguintes você poderá acessar as postagens anteriores sobre o encontro de Menalton Braff com os detentos.











terça-feira, 22 de julho de 2014

PARA DEGUSTAR

Fragmento do livro "Que enchente me carrega", de Menalton Braff.

"Volto pra mim, meu corpo macerado, as mãos cuja semelhança muitas vezes me assombra, os calos e cortes, e percebo que de nada adiantou suportar vendavais, porque os galhos secos e retorcidos deixaram há muito de florir na primavera. E se permanece de pé, o tronco nodoso, é que as raízes secas ainda não apodreceram.

Passo a mão pela testa − dedos ásperos, ferramentas − desmancho as rugas e afasto os pensamentos de autocomiseração. Nem tudo acabou. Daqui a pouco chega dona Rosário me oferecendo os pés: Ficou divino, Firmino, o mais belo que já calcei. De joelhos em sua frente, vou novamente fruir de seu perfume, me enredar em sua voz. É isto, viver?


Não sei quanto tempo estive aqui parado, à espera, à espreita espiando, mas agora é ela, sim, a manhã que chega, finalmente. Esta claridade macia desenhando as frinchas da veneziana, passarinhos roucos limpando a garganta, a voz dura do verdureiro exercendo autoridade sobre seu pobre rocinante. É ela, sem dúvida. Já posso deixar a cama."

quinta-feira, 17 de maio de 2012

FRAGMENTOS - QUE ENCHENTE ME CARREGA?


"Em vão tentei transformar os gestos na crença de que havia uma imensidão onde me esperavas. Cheguei a ver-te canéfora esguia a sorrir-me sob o vulto hirto de um cipreste. Teu doce ungüento seria, então, o bálsamo de minhas mãos doridas. Em vão, porque no horizonte, o que estava escrito, era meu próprio eco fingindo-se de infinito."