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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

JORNALISTA ESCREVE SOBRE ENCONTRO DE MENALTON COM DETENTOS

O jornalista Luís Eblak se encantou com o encontro entre Menalton Braff e os detentos da cadeia de Araraquara. Então escreveu o texto abaixo e publicou em seu perfil no Facebook.

O ESCRITOR E OS PRESIDIÁRIOS 
(Luis Eblak)

Menalton Braff é um escritor premiado. Já ganhou o Jabuti de melhor romance, em 2000 (por "À Sombra do Cipreste"), e foi finalista de diversos prêmios, como o São Paulo de Literatura. Seus livros são elogiados por quem entende de literatura (casos de Manoel Costa Pinto, José Castello, Fabrício Carpinejar).

Amante de cinema de qualidade e música erudita, esse gaúcho até sentiu algo estranho quando foi convidado para falar a um público seleto: presidiários do interior paulista. Mas topou e lá foi.
Sua escrita é refinada, muitas vezes de difícil leitura. Professor de literatura por mais de 20 anos e autor de mais de 20 livros, ele falou a pouco mais de 20 presos sobre uma dessas obras destinadas a um público mais letrado, “Que enchente me carrega?” (2003).

Ele me deu o depoimento abaixo. Eu até que tentei em transformar em reportagem e oferecer para a Folha. Mas a Lava Jato e a tragédia de Mariana me tomaram mais tempo do que eu esperava nos últimos dias. Por isso resolvi publicar neste FB para meus amigos.
Abaixo, quem conta a história toda (e com muito mais capacidade que este eterno aspirante a repórter) é o próprio Menalton.

***
"No Centro de Ressocialização Masculina de Araraquara, os detentos têm acesso a uma biblioteca interna, e são os monitores (também detentos) que a organizam e controlam. Faz inveja a muitas outras que conheço.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

VISITA À CADEIA AINDA REPERCUTE

Publicamos, a seguir, trechos da reportagem do jornal A Cidade sobre a roda de leitura, na cadeia de Araraquara, que contou com a participação de Menalton Braff.

Legenda da foto: 
O escritor Menalton Braff
 durante roda de leitura
 da qual participou no Centro de
 Ressocialização de Araraquara: 
‘foi bom demais o encontro 
que tive com eles’ 
(foto: Marcos Leandro / Divulgação)
Clique aqui para acessar o texto completo.

No Dia Nacional do Livro, projetos de leitura atendem detentos de Ribeirão

Jornal A Cidade / Regis Martins

Ontem (29), Dia Nacional do Livro, a população carcerária de Ribeirão Preto ganhou de presente dois projetos de leitura que vão atender as penitenciárias feminina e masculina. A Fundação Palavra Mágica e a Funap (Fundação Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel) lançam “Clubes de Leitura” e “Você é o Escritor!”, dirigidos aos mais de 1.500 detentos da cidade.

A exemplo do que ocorre nas unidades de Serra Azul, Jardinópolis e Araraquara desde 2009, cada clube de leitura terá, em média, entre 15 e 20 participantes, que vão ler um livro a cada duas semanas e ter um encontro quinzenal. Já “Você é o Escritor!” busca estimular a verve criativa dos presos....

Premiado com Jabuti já participou

Quem viu de perto os bons resultados de projetos como o “Clube de Leitura” foi o escritor Menalton Braff, Prêmio Jabuti de 2000. Ele foi convidado a participar de uma roda de leitura no Centro de Ressocialização da Penitenciária de Araraquara e ficou surpreso com o que viu.

“Os detentos leram meu livro ‘Que Enchente Me Carrega?’ e, ao descobrirem que eu era da região, queriam me conhecer de qualquer jeito. Foi bom demais o encontro que tive com eles”, lembra.

Durante 2h, Menalton falou sobre a obra, ouviu depoimentos de seus leitores e respondeu a várias perguntas.

“Você não imagina as observações que eles fizeram do livro, que tecnicamente, não é de fácil leitura. Fiquei encantado com o nível de entendimento deles”, ressalta o escritor, que diz ainda ter saído de Araraquara “com orgasmos”.


“Temos uma visão preconceituosa deles. Lógico que estão lá porque cometeram algum delito, mas eles também são gente, são inteligentes e argumentam muito bem”, afirma. 

Nos links seguintes você poderá acessar as postagens anteriores sobre o encontro de Menalton Braff com os detentos.











quinta-feira, 22 de outubro de 2015

SAI REPORTAGEM SOBRE VISITA DE MENALTON À CADEIA DE ARARAQUARA

Acesse a publicação original

Apresentamos, a seguir, o texto da reportagem publicada pelo site da Secretaria da Administração Penitenciária. Ao final da postagem, mostramos trechos de mensagens enviadas a Menalton Braff pela mãe do detento que tocou flauta para recepcionar o escritor.

21/10/15 | Mariana Fonseca - Assessoria de Imprensa - SAP

Escritor Menalton Braff participa de projeto do C.R de Araraquara
Leitura e emoção marcam presença mais uma vez no encontro

Reeducandos cantando para Menalton Braff

O projeto “Roda de leitura-palavra mágica” deu sequência no Centro de Ressocialização (CR) de Araraquara, dessa vez contou com a participação do escritor, ganhador do prêmio Jabuti, 2000 e membro da Academia de Letras Ribeirãopretana, Menalton Braff. O projeto começou em 20 de agosto e se baseia em reuniões que visam discutir um título, escolhido através de votação pelos próprios presos, sendo que o livro do último encontro foi o “Que enchente me carrega? ”, de autoria do convidado em questão.

O clube de leitura é uma parceria da Funap (Fundação “Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel”) Regional de Ribeirão Preto, Fundação Palavra Mágica Ribeirão Preto e CR de Araraquara e traz, além da leitura das obras, a oportunidade de contato com estudiosos e até mesmo com os autores. Menalton participou da discussão do livro no dia 28 de setembro e viu de perto o efeito de seu trabalho sobre as diferentes classes, o próprio autor considera “Que enchente me carrega? ” uma leitura difícil e se impressionou com as análises feitas pelos reeducandos. “É preciso que se diga, não é um romance de fácil leitura, em virtude das técnicas narrativas empregadas, com predomínio do fluxo de consciência e sua alinearidade. Pois bem, fiquei impressionado com o nível das perguntas que ouvi”, admitiu Braff. Ele se emocionou ao ouvir os detentos cantando e tocando uma música que fizeram inspirados em sua obra e que recebe o título da mesma.

Uma leitura libertadora

Essa roda de leitura ocorre a cada 15 dias, proporciona reflexão, diálogo e convívio social, ensinando os participantes a ouvirem as diferentes opiniões e respeitá-las, assim prepara os detentos para a reinserção na sociedade. ” Eu achei uma experiência incrível [...]. Em minha vida eu sempre gostei de ler, sempre fui leitor e nunca passaria pela minha cabeça conhecer um escritor de tantos trabalhos. Aprendi a me expressar em público, algo que tenho muita dificuldade”, comentou um preso no fim do encontro, demonstrando que o prazer de ler não cessa com o encarceramento, ao contrário, a leitura pode ser estimulada mesmo em reclusão.

“Despertou em nós o interesse pela leitura, nos levando a desbravar novos horizontes, trazendo de volta a capacidade de sonhar através da leitura”; “[...] é como ler com quarenta olhos, ou seja, muito mais conhecimento e discernimento”, afirmaram alguns dos participantes. O projeto se tornou um meio de fazer com que os presos sejam mais ligados à cultura e entusiasmados a idealizarem um futuro melhor; a leitura lhes apresenta outra realidade.


A roda de leitura já é um sucesso e pretende atrair os olhares de mais reeducandos para os livros; as palavras guiam a outros lugares e os tornam livres, capazes de serem pessoas melhores.

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Mãe se manifesta

Entre a data da visita e hoje Menalton recebeu algumas mensagens da mãe do detento que tocou flauta durante o encontro. Mostramos, a seguir, algumas dessas mensagens. As partes em branco foram propositadamente apagadas para preservar a identidade de mãe e filho.







segunda-feira, 28 de setembro de 2015

BATE-PAPO NA CADEIA DE ARARAQUARA

Chegou o dia do encontro entre Menalton Braff e os detentos da cadeia de Araraquara.

Eles leram o romance "Que enchente me carrega?" e quiseram conversar com o autor.

O encontro está marcado para 15h. Aguardem a postagem de Braff sobre o que rolou.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

PÉ NA ESTRADA

Um grupo de detentos da cadeia de Araraquara-SP leu meu romance Que enchente me carrega?

Descobriram que moro na região, agora querem conversar comigo.

O convite chegou até mim, e, é claro, aceitei.
Vai ser minha primeira experiência de conversar com detentos dentro de uma cadeia.

Isso vai acontecer no dia 28/09, a partir das 15h.

Que enchente me carrega? não é um texto facilmente digerível, ele apresenta certas dificuldades ao leitor inexperiente que resultam das técnicas narrativas empregadas, como discurso indireto livre, fluxo de consciência, trechos de prosa poética, sugestões muitas vezes contraditórias.

Vai ser muito interessante saber como o romance foi recebido pelos detentos.