Quem conta um conto
Vem aí um novo livro de contos que acaba de entrar no prelo pela Editora ReformatórioJá tratei aqui deste mesmo assunto, mas houve algumas alterações que me fazem voltar ao conto. A morfologia do conto, suas principais características, são coisas conhecidas por praticamente todos aqueles que produzem literatura e/ou que circulem em seu entorno. O que me faz voltar ao assunto é um dos aspectos da criação do conto.
Há autores que trabalham uma série de textos com vistas a um livro. Isso dá quase sempre alguma unidade aos contos, seja de personagens, de espaço, tema, ou apenas estilo. Pra ficar com apenas dois casos, cito o Ruffato e o Autran Dourado. Histórias de Remorsos e Rancores e Os sobreviventes, os dois primeiros livros do Ruffato, são formados por várias histórias com as mesmas personagens, que se alternam como protagonistas. Além disso, todas as histórias se passam em Cataguazes-MG, e imagino que ali pelas imediações do rio Pomba. No caso do Autran Dourado os modos faciendi mudam um pouco. Ao ponto de alguns críticos consideraram O risco do bordado um romance. Aquele menino contracenando com Zito e Zózimo, o avô e tantas personagens mais até certo ponto justificam tal qualificação. Mas no que tange à narrativa, à efabulação, o que se tem é uma série de histórias não articuladas o que me dá o direito de considerar o livro uma coletânea de contos. Mesma família, mesmo espaço, mesma época, mas não existe uma célula dramática central.
