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terça-feira, 10 de julho de 2018

LANÇAMENTO À VISTA

Quem conta um conto

Vem aí um novo livro de contos que acaba de entrar no prelo pela Editora Reformatório 

Já tratei aqui deste mesmo assunto, mas houve algumas alterações que me fazem voltar ao conto. A morfologia do conto, suas principais características, são coisas conhecidas por praticamente todos aqueles que produzem literatura e/ou que circulem em seu entorno. O que me faz voltar ao assunto é um dos aspectos da criação do conto.

Há autores que trabalham uma série de textos com vistas a um livro. Isso dá quase sempre alguma unidade aos contos, seja de personagens, de espaço, tema, ou apenas estilo. Pra ficar com apenas dois casos, cito o Ruffato e o Autran Dourado. Histórias de Remorsos e Rancores e Os sobreviventes, os dois primeiros livros do Ruffato, são formados por várias histórias com as mesmas personagens, que se alternam como protagonistas. Além disso, todas as histórias se passam em Cataguazes-MG, e imagino que ali pelas imediações do rio Pomba. No caso do Autran Dourado os modos faciendi mudam um pouco. Ao ponto de alguns críticos consideraram O risco do bordado um romance. Aquele menino contracenando com Zito e Zózimo, o avô  e tantas personagens mais até certo ponto justificam tal qualificação. Mas no que tange à narrativa, à efabulação, o que se tem é uma série de histórias não articuladas o que me dá o direito de considerar o livro uma coletânea de contos. Mesma família, mesmo espaço, mesma época, mas não existe uma célula dramática central.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

UM CONTO PARA SEU FIM DE SEMANA

O conto a seguir está publicado no livro "A coleira no pescoço", publicado pela Bertrand Brasil.

Joana
Oh! que pai infeliz!
E, se eu o condenei, por vossa causa o fiz.
Cruel! Suporeis vós que estais justificada?                                                                                             (Teseu)

Esta casa ficou escura assim tão grande, sua imensidade, depois que eles se foram. E vazia. Não mais vazia do que eu, entretanto, que passo meus dias a contar minutos e passos pelos corredores. Mas vazia o suficiente para que me sinta angustiada, sabendo que não posso estar em todos os cômodos ao mesmo tempo. Nunca sei o que acontece onde não estou, como não sei o que aconteceu em minha casa, as causas de tanta desgraça, enquanto estive fora. À tarde, principalmente, ao cair da tarde, ouço as vozes dos dois conversando e rindo na cozinha, se estou na sala; ou no quarto, se estou na cozinha. Tudo acontece onde não estou. Quando me aproximo, calam-se e mudam de lugar. Como duas sombras silenciosas, suas asas carregadas de pretas nuvens. Às vezes chamo um dos dois, à noite, principalmente, quando costumávamos estar reunidos, e tenho a impressão de ouvir a resposta.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

UM CONTO PARA SEU FIM DE SEMANA

O conto a seguir está publicado no livro "A coleira no pescoço", editado pela Bertrand Brasil.

Um dia apagado

 Vagaroso e barulhento, sobe o portão de aço. Enquanto isso, preso ao banco pelo cinto de segurança, e tendo botado o motor a funcionar, Arlindo tamborila sua impaciência no volante. Detesta sair de casa assim atrasado. Fica tudo parecendo mais lento, o tempo escorrendo em caldo grosso e quente, como ali atrás o portão, e a camada fina de suor que lhe umedece o corpo mancha a roupa, cheira mal. Horrível a sensação de sujeira, quando tem ainda um expediente inteiro pela frente. E o pior de tudo será enfrentar aquelas dezenas de olhos alegres de tanta malícia e acusação por tê-los deixado muito tempo de pé parados, esperando do lado de fora.

terça-feira, 29 de abril de 2014

LANÇAMENTO, AMANHÃ, NA LIVRARIA DA VILA DA ALAMEDA LORENA

A escritora Fernanda Benevides de Carvalho lança amanhã, na  Livraria da Vila da Alameda Lorena, o livro de contos "Assum-Preto". A partir das 19h.