Esta coluna reúne análises literárias escritas por Menalton Braff e publicadas originalmente no site do escritor.
Livro Analisado: Ubirajara
Autor: José Martiniano de Alencar
A Obra
Ubirajara, que forma, com Iracema e O Guarani, o grupo dos
romances indianistas de Alencar, considerando-se o projeto literário de seu
autor, é o primeiro momento, a pré-história do Brasil. Apesar de ser um dos últimos
romances de José de Alencar, (publicado três anos antes de sua morte) retrata a
vida em um Brasil pré-cabralino. Toda a ação transcorre apenas entre índios das
tribos dos tocantins, araguaias e tapuias.
José de Alencar, nascido em 1929, praticamente viu também o
Brasil nascer. Herdeiro de senador, Alencar desde cedo teve os olhos voltados para
o país. Sua concepção de língua, para citar um exemplo, era de uma nacionalidade
altiva, soberana.
"Nenhum escritor teve em mais alto grau a alma
brasileira. E não é só porque houvesse tratado assuntos nossos. Há um modo de
ver e de sentir que dá a nota íntima da nacionalidade, independente da fase
externa das cousas... O nosso Alencar juntava a esse dom a natureza dos
assuntos, tirados da vida ambiente e da história local. Outros o fizeram
também; mas a expressão do seu gênio era mais vigorosa e mais íntima."
Machado de Assis, autor do parágrafo acima, foi dos poucos
críticos contemporâneos de Alencar que souberam aquilatar a importância e o espírito
da obra alencariana.
O Brasil, sua língua, suas idiossincrasias, seu povo, mas
sobretudo sua natureza: eis o objeto do amor de Alencar, sua preocupação, sua
matéria-prima.
Alfredo Bosi, a quem não faltam credenciais para discorrer
sobre o assunto, assim se referiu ao autor de Ubirajara:
"Para dar forma ao herói, Alencar não via meio mais
eficaz do que amalgamá-lo à vida da natureza. É