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quinta-feira, 25 de junho de 2015

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (144)

Francesco Petrarca
Em continuação aos gêneros literários:
"Sob o ponto de vista técnico-formal, a lírica é definida em conformidade com os caracteres atribuídos, desde Platão a Diomedes, ao modo da narrativa pura, também designado, como vimos, por modo exegemático, ou simplesmente, modo narrativo: 'Modo exegemático es quando el poeta habla de su persona propria, sin introduzir a nadie. (...) El lýrico casi siempre habla en el modo exegemático, pues hace su imitación hablando él proprio, como se ve en las obras de Horacio y del Petrarca, poetas lýricos. (...) La poesía se divide en tres especies principales: épica, scénica y lýrica.  (...) el lýrico casi siempre habla de su persona propria (...)'. Sob o ponto de vista semântico, ou, em termos aristotélicos, relativamente ao objecto da mimese, a poesia lírica é 'Imitación de qualquier cosa que se proponga, pero principalmente de alabanças de Dios y de los santos y de banquetes y plazeres, reduzidas a un  concepto lýrico florido'.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (143)

4.4. Origem e estabelecimento da divisão triádica dos géneros literários

Entre os precursores da divisão dos textos em Gêneros, estão Platão, em A República, Aristóteles, com sua Poética, e Horácio em Epístola ad Pisones (Arte Poética). 
A divisão tripartida mais popular durante a Idade Média, entretanto, foi formulada por Diomedes, um gramático do século IV, que, praticamente, copiou a divisão platônica com pequenas modificações terminológicas.
Eis a divisão de Diomedes:

a) Genus actiuum uel imitatiuum - que os gregos chamavam de mimeticon. Nesta categoria não poderia haver intervenções enunciativas do poeta e deveria apresentar apenas atos enunciativos de personagens. É própria do teatro e dividia-se em tragédia e comédia. Mas podia também existir em um poema bucólico, como a égloga I de Virgílio.
Obs.: a égloga ou écloga é um tipo de poema dialogado. Em geral o diálogo travava-se entre pastores.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (142)

Homero
Voltemos ao prof. Vítor Manuel de Aguiar e Silva no ponto em que o abandonamos temporariamente, ou seja, nos gêneros literários nas poéticas de Platão e Aristóteles.

"Se se tomar em consideração a variedade dos objectos da mimese poética, isto é, dos 'homens em acção', os géneros literários diversificar-se-ão conforme esses homens, sob o ponto de vista moral, forem superiores, inferiores ou semelhantes à média humana. Os poemas épicos de Homero representam os homens melhores, as obras de Cleofonte figuram-nos semelhantes e as paródias de Hegemão de Taso imitam-nos piores. A tragédia tende a imitar os homens melhores do que  os homens reais e a comédia tende a imitá-los piores; a epopeia assemelha-se à tragédia por ser uma 'imitação dos homens superiores'.
Finalmente, da diversidade dos modos por que se processa a imitação procedem importantes diferenciações, já que o poeta pode imitar os mesmos objectos e utilizar idênticos meios, mas adoptar modos distintos de mimese. Aristóteles contrapõe o modo narrativo, a imitação narrativa, ao modo dramático, em que o poeta apresenta 'todos os imitados como operantes e actuantes'. No modo narrativo, é necessário discriminar dois submodos: o poeta narrador pode converter-se 'até certo ponto em outro', como acontece com Homero, narrando através de uma personagem, ou pode narrar directamente, por si mesmo e sem mudar.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (140)


E continuamos com o texto fundamental do prof. Alfredo
Bosi. As fotos são do Derrida porque ele é citado
no texto que vamos transcrever hoje.

O OUTRO EXTREMO: A HIPERMEDIAÇÃO

"Mas a Era é dos Extremos. Ao pólo da literatura brutalista e imediata opõe-se, ao menos teoricamente, o pólo da literatura hipermediadora: é o maneirismo pós-moderno feito de pastiche e paródia, glosa e colagem, em suma, refacção programada de estilos pretéritos ou ainda persistentes.
Este também é um fenômeno da cultura globalizada e se verifica em todas as artes.




quinta-feira, 21 de maio de 2015

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (139)

Continuamos com algumas transcrições do livro LITERATURA E RESISTÊNCIA, do prof. Alfredo Bosi.

Ora, há um discurso entre acadêmico e mercadológico que valoriza esses vários subconjuntos exclusivamente em função dos seus conteúdos. O conteudismo, que o formalismo estruturalista acreditava morto e enterrado para todo sempre, mostrou, na cultura contemporânea, que resistiu e está muito bem de saúde. Que o digam os estudos culturais que sobretudo nos Estados Unidos, mas também nas suas periferias, substituíram a interpretação literária e a crítica estética pela exposição nua e crua do assunto, valorizando-o, se politicamente correto, e condenando-o, se politicamente incorreto.


quinta-feira, 14 de maio de 2015

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (138)

Continuemos transcrevendo fragmentos do capítulo Os estudos literários na era dos extremos, do prof. Alfredo Bosi, em seu "Literatura e resistência".

"Olhemos de perto essa faixa que corresponde a um dos extremos. Essa literatura, seja nas formas brutalistas de crônica policial, seja quando recorre a um imaginário estereotipado, neo-hollywoodiano, seja provida de elementos picantes ou aterrorizantes, é a literatura para-massas, é o best-seller, mas não só: os seus procedimentos acabaram entrando, involuntária e depois voluntariamente, no tecido da ficção contemporânea. O que estava confinado ao thriller e à pornografia rompeu as barreiras do best-seller  comercial e entrou fundo nos hábitos estilísticos do contista e do romancista presumidamente culto, ou, pelo menos, portador de um curso universitário.
Chamemos a essa tendência de literatura-de-apelo, já que se trata de uma concepção de escrita como imediação, documento bruto ou entretenimento passageiro, de superfície; exatamente o contrário do que Croce e Adorno, dois hegelianos, um de centro, o outro de esquerda, diziam que a arte é ou deveria ser."

quinta-feira, 7 de maio de 2015

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (137)

Alfredo Bosi
Vínhamos comentando a questão dos gêneros em literatura, como parte da estética literária, mas vamos fazer um intervalo para introduzir alguns parágrafos do capítulo 13 - Estudos literários na era dos extremos, do livro Literatura e resistência, do professor Alfredo Bosi.
"... o que me interessa agora é a expressão em si mesma, era dos extremos, no que ela coincide com o sentimento que me despertam as Letras nos últimos anos. Letras, aqui, no sentido amplo e compreensivo de ficção e crítica literária.
O que estaria acontecendo com a cultura letrada no universo aparentemente caótico que se dá aos nossos olhos neste fim de milênio? (...) Haverá algum método nesta loucura?
(...) Talvez o eixo que tem como pólos o indivíduo-massa e o indivíduo diferenciado. E aqui é possível combinar antigas observações da Sociologia da Literatura e novas intuições da Estética da Recepção, ambas voltadas para entender a relação entre o escritor e o público.



quinta-feira, 30 de abril de 2015

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (136)

Na postagem anterior introduzimos as considerações de Platão a respeito dos gêneros.

"Segundo Aristóteles, a matriz e o fundamento da poesia consistem na imitação: 'Parece haver, em geral, duas causas, e duas causas naturais, na génese da Poesia. Uma é que imitar é uma qualidade congénita nos homens, desde a infância (e nisso diferem dos outros animais, em serem os mais dados à imitação e em adquirirem, por  meio dela, os seus primeiros conhecimentos); a outra, que todos apreciam as imitações.'  A mimese poética, que não é uma literal e passiva cópia da realidade, uma vez que apreende o geral presente nos seres e nos eventos particulares - e, por isso mesmo a poesia se aparenta com a filosofia -, incide sobre 'os homens em acção', sobre os seus caracteres (ethe), as syas oauxões (pathe) e as suas acções (praxeis). A imitação constitui, por conseguinte, o princípio unificador subjacente a todos os textos poéticos, mas representa também o princípio diferenciador destes mesmos textos, visto que se consubstancia com meios diversos, se ocupa de objectos diversos e se realiza segundo modos diversos.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (134)

A questão dos gêneros literários

Pelo menos desde Platão a questão dos gêneros literários tem provocado polêmicas. É o caso da Gerusalemme liberata de Torquato Tasso, a briga em torno do Cid de Corneille e a batalha envolvendo o Hernani de Victor Hugo, para citar apenas alguns casos.
O problema dos gêneros literários não se restringe a questões da teoria da literatura, estendendo-se para envolvimentos ontológicos e epistemológicos. A natureza de universais, a correlação entre o particular e o geral, a interação de fatores lógico invariantes e de fatores histórico-sociais, os fundamentos das operações classificativas, etc.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (133)

Marcuse
Para encerrar o capítulo sobre a comunicação literária, transcrevamos os três parágrafos finais:
"A concepção prometaica da comunicação literária, que se desenvolveu na teoria e na praxis sobretudo com o romantismo e, mais acentuadamente, com as literaturas de vanguarda, consubstancia-se paradigmaticamente em textos literários que instituem uma ruptura declarada e violenta com os códigos linguísticos, retórico-estilísticos e semântico-pragmáticos dominantes numa determinada comunidade sociocultural e encontrou a sua teorização mais radical e mais consistente na chamada 'estética da negatividade', defendida por pensadores como Adorno e Marcuse: o texto literário não reflecte nem justifica conformistamente o real estabelecido, mas corrói e anula, pelo seu poder de negatividade, esse mesmo real, manifestando no seu mundo de Schein, de ilusão, a 'verdade subversiva' questionadora da ideologia dominante e antecipando, no plano da utopia, um horizonte de libertação. O efeito social de muitos textos literários de ruptura pode ser intenso, mas relativamente transitório, porque as próprias transformações eventualmente ocorridas na sociedade, ao modificarem o circunstancialismo da recepção literária, determinam a sua exaustão e o seu gradual desaparecimento.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (132)



Novalis
Quando o texto é muito denso, extrair a ideia principal é mutilar algo impossível de ser parafraseado. Portanto, e para não mutilar o pensamento do Dr. Vítor Manuel de Aguiar e Silva, continuemos transcrevendo o capítulo 3.13, na página 333 do livro que estamos estudando.

"Semelhante problemática da comunicação literária permite reequacionar, em termos novos, a questão da literatura como meio específico de conhecimento - uma questão já debatida na filosofia platónica e na Poética de Aristóteles e que adquiriu uma importância fundamental com o romantismo e com a literatura e a poética pós-românticas (simbolismo, surrealismo, formalismo russo, etc.). No seu extremo limite, a concepção da literatura como conhecimento tende para uma concepção órfica da comunicação literária (mais particular e restritivamente, da comunicação poética): o escritor, ao emitir o seu texto, não só transfigura o real nomeado ou aludido, mas reinventa e instaura o próprio real, o real absoluto - Die Poesie ist das echt absolut Reelle, nas palavras de Novalis -, com a urdidura encantatória do seu discurso.

quinta-feira, 26 de março de 2015

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (131)

Luciano Anceschi
Dada a relevância e a densidade do capítulo que vamos ler, prefiro transcrevê-lo do livro que estamos estudando.

Pragmática da comunicação literária

"Ao concluirmos a análise do fenómeno da comunicação literária, não podemos deixar de formular esta pergunta: qual a função, ou quais as funções, da comunicação literária? Pergunta que equivale a interrogarmo-nos sobre a finalidade da literatura como instituição, sobre as razões da existência do sistema semiótico literário, sobre a influência dos textos literários no sistema de conhecimentos, de crenças, de convicções, de normas éticas e sociais que caracteriza os seus leitores e as comunidades históricas em que estes se integram. Com efeito, se na comunicação literária se encontram suspensas as regras que relacionam imediatamente os actos ilocutivos do texto com o mundo empírico, tal não significa que o texto literário não comporte actos perlocutivos e que seja destituído da capacidade de originar nos seus receptores múltiplos e diversos efeitos perlocutivos ('fazer tomar consciência', 'modificar escalas de valores', 'persuadir', 'comover', etc.). Os numerosos mecanismos de censura e de repressão que, desde há milénios, têm sido concebidos e postos em execução a fim de impedir que os textos literários possam exercer, em liberdade, os seus possíveis efeitos perlocutivos, demonstram bem a relevância dos factores pragmáticos da comunicação literária.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (129)

Roman Ingarden
Para conclusão do assunto leitor X texto, mais um parágrafo transcrito. Pág. 329:
"A 'liberdade semiótica' do leitor, se em parte está condicionada e configurada pela sua competência comunicativa, depende também em parte de certos predicados ontológicos e funcionais do próprio texto literário e, especialmente, daqueles caracteres do texto literário que Roman Ingarden designou como pontos de indeterminação (...) ou lacunas (...) e que constituem fenômenos resultantes quer da natureza da linguagem verbal, quer da inevitável selectividade da arte literária, quer de uma intenção estética.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (128)

 Novamente a melhor solução é a transcrição de dois parágrafos do livro que estamos estudando.

Pág. 327/328  "O texto literário, como sequência de lexemas, de enunciados, de frases, de microestruturas estilísticas e de mircoestruturas semânticas, de macroestruturas formais e macroestruturas semântico-pragmáticas, constitui um objecto semiótico que orienta e controla parcialmente o leitor, mas que permite e exige também a este, em grau variável, o exercício de uma 'liberdade semiótica' que se funda na interacção das próprias estruturas textuais com os instrumentos, os meio e os processos de decodificação utilizados pelo receptor.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (127)

Roman Ingarden
Neste ponto do que estamos vendo, a leitura, é útil que se transcreva um parágrafo das páginas 318/319 do  livro Teoria da Literatura do prof. Dr. Vítor Manuel de Aguiar e Silva.

"Da heterogeneidade sincrónica e diacrónica da competência literária dos leitores empíricos resulta que um texto literário, permanecendo imutável como 'artefacto', pode ser concretizado em diversos 'objectos estéticos', embora a diversidade das concretizações de um texto literário não dependa apenas da heterogeneidade dos seus receptores. O conceito de concretização foi proposto por Roman Ingarden para designar o modo como um leitor, através de múltiplos actos cognitivos, através de complexas operações subjectivas e vivências, realiza a apreensão da obra literária. A concretização, na perspectiva de Ingarden, tem como fundamentos ônticos os actos cognitivos do leitor e as estruturas da obra literária, de modo que, por um lado, a concretização não se dissolve numa tessitura de viências alheias às objectividades ontologicamente heterónomas constituídas pelas estruturas textuais e, por outra parte, a obra literária permanece 'essencialmente distinta' de cada uma das suas plurímodas e sucessivas concretizações (se há concretizações que desvelam e iluminam o ser da obra literária, ocorrem outras que ocultam e obliteram esse mesmo ser).
(continua)


quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (126)

Ainda a questão da leitura. Trando-se da legibilidade:

a) Sendo por alguma razão reduzida a área de intersecção dos policódigos (do texto e do leitor), a legibilidade se verá reduzida, ou mesmo anular-se.

b) O distanciamento dos policódigos (do texto e do receptor) no plano sincrônico, por exemplo, a recepção de textos vanguardistas por receptores não familiarizados com o experimentalismo; mas também ocorre no plano diacrônico com leitores historicamente distanciados do momento da enunciação.

c) Quanto mais distantes no tempo estiverem emissor (e seu texto) e os receptores, tanto mais numerosos e profundos serão os desencontros entre os policódigos.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (125)

Hans Robert Jauss
O PROCESSO DA LEITURA

Para que o receptor possa se apropriar de um texto literário, para que ele realize com propriedade o processo de sua identificação, existem algumas condições sine qua non. 
a) o leitor deve ter o conhecimento do sistema modelizante primário em que é vazado o texto;
b) o leitor deve ter conhecimento do sistema literário e dos respectivos códigos de que o texto depende;
c) o leitor tem que ter domínio dos mecanismos subjacentes à organização do texto, principalmente do texto literário;

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (124)

Wolfgang Iser

Receptor, destinatário, leitor


Para empregar-se relativo rigor, não se devem confundir receptor e destinatário, sendo que aquele pode ser aproximado do leitor (entidade empírica com capacidade para decodificar a mensagem, quando o faz). 
Todo autor, no momento da enunciação, tem em mira um destinatário ideal. "Flaubert confessa que escreveu em parte L'education sentimentale para Sante-Beuve, paradigma do leitor inteligente; Mallarmé exclui a hipótese de os seus textos poéticos se dirigirem a um público de massas; Valéry aconselha a escrever apenas para o leitor "inteligente" e insusceptível de ser dominado por qualquer modalidade de manipulação; Fernando Pessoa/Alberto Caeiro pensa num leitor que saiba ler pacientemente e com espírito pronto, etc. Este leitor assim configurado é um leitor ideal ou um leitor modelo, uma entidade teórica construída por um escritor."

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (121)

A mensagem

Diferentemente do sentido usual da palavra, o uso vulgar, em semiótica o texto é o encadeamento de signos (palavras) linguísticos de forma a que sua sucessão tenha coerência comunicacional.
Pode-se então dizer que a mensagem é o texto, a tecitura formada por palavras e outros sinais diacríticos (acentos, pontos e outros recursos).
Ocorre que se trata, em nosso caso, de descrever não a mensagem em geral, senão a mensagem literária. Ou seja, levando-se em conta o conceito já exposto de linguagem como sistema modelizante, é necessário que nos atenhamos então ao sistema modelizante secundário, que é o sistema em que se constrói o texto literário.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (120)

McLuhan
3.8.1. - A "Galáxia de Gutenberg" e a comunicação literária.

É bem pouco o que desse capítulo nos interessa para a questão da estética. Mesmo assim, transcrevo a seguir alguns trechos que nos ajudam no entendimento da questão.
O autor faz inicialmente a distinção entre a literatura escrita a mão, na Idade Média, e o advento da impressão. Surgem, segundo ele, outros atores do processo, antes inexistentes, como: o impressor, o editor, e o livreiro. E o resultado, muito mais sociológico do que estético, é a imensa ampliação do público leitor.
E outros fenômenos, então, vêm germinando e crescendo até os dias atuais.