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| Homero |
"Se se tomar em consideração a variedade dos objectos da mimese poética, isto é, dos 'homens em acção', os géneros literários diversificar-se-ão conforme esses homens, sob o ponto de vista moral, forem superiores, inferiores ou semelhantes à média humana. Os poemas épicos de Homero representam os homens melhores, as obras de Cleofonte figuram-nos semelhantes e as paródias de Hegemão de Taso imitam-nos piores. A tragédia tende a imitar os homens melhores do que os homens reais e a comédia tende a imitá-los piores; a epopeia assemelha-se à tragédia por ser uma 'imitação dos homens superiores'.
Finalmente, da diversidade dos modos por que se processa a imitação procedem importantes diferenciações, já que o poeta pode imitar os mesmos objectos e utilizar idênticos meios, mas adoptar modos distintos de mimese. Aristóteles contrapõe o modo narrativo, a imitação narrativa, ao modo dramático, em que o poeta apresenta 'todos os imitados como operantes e actuantes'. No modo narrativo, é necessário discriminar dois submodos: o poeta narrador pode converter-se 'até certo ponto em outro', como acontece com Homero, narrando através de uma personagem, ou pode narrar directamente, por si mesmo e sem mudar.



















