quinta-feira, 18 de maio de 2017

ORELHA

A partir de hoje, vocês terão a oportunidade de conhecer livros cujas orelhas foram escritas por Menalton Braff.

CEM ANOS DE HISTÓRIA E FICÇÃO

Quando aceitei a honrosa incumbência de apresentar este 1917-2017: O Século sem fim, imaginei-me às voltas com textos ensaísticos, talvez algumas crônicas para tornar mais leve e prazerosa a tarefa dos leitores. E as surpresas já começaram com o texto inicial. Relíquia macabra é um conto, um conto de erudito, mas literário. E se um dos pressupostos do texto literário, pelo menos desde o New criticism, é a ficcionalidade, neste como na maioria dos contos restantes o leitor vai encontrar elementos da História
que vai de 1917 até 2017. Mas enovelados com tais elementos surgem as entidades criadas pela imaginação assegurando a literariedade do texto. O Barão Vermelho, por exemplo, comparece avô daquela menina Richthofen, ambos, contudo, ficcionalizados.

Um ano auspicioso, conto em que Fernando Pessoa e Mário de Andrade comparecem como personagens, trocando uma rica correspondência, não tanto pela quantidade, que por si já é considerável, mas sobretudo pelos assuntos tratados, é um texto metalinguístico de refinadas reflexões críticas de literatura.

Vale a esta altura observar que a maioria dos contos têm como tempo histórico inicial o ano de 1917 e muitas vezes transcorrem de uma maneira ou de outra até 2017.

O primeiro, como não podia ser diferente, tem, como marco histórico, a revolução bolchevique, e com frequência aparecem personagens como Lênin, Trotski e Stalin, por motivos mais que óbvios. O
centenário daqueles fatos vem cair sobre nós na atualidade.

Quase sem curso, o conto seguinte, junta Olga Benário, Rosa Luxemburgo e Isadora Duncan, como mulheres libertárias, numa união que só a literatura consegue promover.

A maioria dos contos é narrada em primeira pessoa, ou como prefere Genette, narrador autodiegético. E isso possibilita que a autora do conto Bandeira no Metrô se torne personagem e encontre Manuel Bandeira nas escadarias do Teatro Municipal, sendo então convidada a entrar para que não perca a declamação de um poema dele na interpretação de Ronald (provavelmente de Carvalho).

Nem todos os contos se ligam à ideia dos cem anos que atualmente tentamos fechar, só tentamos porque o século, no dizer do título, não tem fim. Revolução do Zíper e O menino elefante são exemplos de textos em que o tempo não tem relevo, não é a ideia condutora.

Revolver a los 17 em outubro é um título cuja expansão vai envolver a cantora, compositora e ativista política chilena Violeta Parra, e um mês que, na história política do mundo, é um mês revolucionário. Como revolucionário é o conto que, em seu plano expressional, não desmerece o título.

Enfim, são vinte e um autores que, com seus textos na maioria ficcionais, dão-nos um panorama da vida política e cultural dos cem anos que, chegando até nós, são o século que não tem fim.

É um livro para marcar época em todos os seus sentidos.

(Menalton Braff)



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