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quarta-feira, 28 de outubro de 2020

CANTIGAS DE AMIGOS

 PERSONAGENS

(Ruth do Carmo)


Por caminhos da memória,

você bate portas, pai.

E eu, criança, procuro-te no escuro

das ruas onde tudo já está fechado.

A mão da mãe põe forças em mim,

enquanto te procuramos e é meia-noite.

Era uma vez noites assim...


Hoje há verdades maiores no músculo vermelho.

E talvez alguma espécie de perdão.

Já passou. Já passou...

E já parecemos personagens.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

CANTIGAS DE AMIGOS

 PREPARO

(Ruth do Carmo)


O vestido de minha mãe

suavemente dança

no varal envelhecido.

Daqui observo as flores amarelas

que vieram ontem

fazer companhia às vermelhas.

Recém-chegadas, prometem vida.


A cada dia, aos poucos,

minha mãe esvai-se de mim,

na lentidão que anuncia partidas.

Sei que me prepara para quando serei,

de mim mesma,

absolutamente,

meu pai e minha mãe.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

CANTIGAS DE AMIGOS

Enfim
                                      (Ruth do Carmo)
                                                                               
O silêncio que procuro,
interno, inteiro,
vem daqueles tempos em que,
marginal de mim,
vilipendiava-me por tão pouco sol.

O silêncio que encontro,
tão perto, tão leve,
vem de saneados tempos,
em que verões eram  vividos
como cinzentos invernos.

O silêncio então transporta
para o acreditado mundo,
todo sim marcado
por solidários dias,
sol e chuva de cada um
compartilhados enfim.


(22-03-2016)

quarta-feira, 8 de julho de 2015

CANTIGAS DE AMIGOS



PALAVRAS                                                          


Sumaré é uma orquídea amarela.
Araçá é fruta silvestre a nos lembrar goiaba.
Inefável não se descreve
tamanha é a beleza.
O indômito jamais permitirá que o subjuguem.
Pugnar é para todos
e todos os dias,
embora muitos se assemelham a invertebrados sem patas,
de corpo longo e mole.
As palavras... um reinado,
plenitude de alfazemas,
ventos alísios
dançando letras.


Ruth do Carmo - 14/05/2012

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

CANTIGAS DE AMIGOS

Da poeta paulistana Ruth do Carmo, o poema abaixo:

ESCRITOS  (2012)

Avó
Hoje refaço seus passos
em sentido contrário,
mas  na mesma calçada.

A fábrica para onde vou é outra.
Seu tecido é feito de gente,
de meu tear devem sair palavras.
(04-09-2012)

sábado, 8 de março de 2014

CANTIGAS DE MULHERES

Reunimos, a seguir, os poemas de mulheres já publicados neste blog.   

Cinzas ­ - Lilia Ripoll
Cliques – Márcia Marques
Fadiga – Mara Senna
Não!  - Eliane Ratier
Negros girassóis – Maria Olina
Nua e crua – Flora Figueiredo
Uma tristeza – Ruth do Carmo
Sensualismo – Rita Mourão


Cinzas ­ - Lilia Ripoll

Cingida por sete palmas,
descerei à terra, um dia.
Violetas roxas no peito,
fronte branca e alma fria.

Cabelos longos caídos
e arrastados pelo vento.
Em todo o corpo um espanto
e um lúcido entendimento.

Teu claro nome sonoro
entre os lábios, apertado.
Luas negras nos meus olhos.
E um segredo inconfessado.

sábado, 4 de janeiro de 2014

quinta-feira, 6 de junho de 2013

CANTOS DE AMIGOS


O poema publicado abaixo é de minha amiga Ruth do Carmo, companheira de vida acadêmica de quem hoje tive notícias.

Avó

I
Hoje refaço seus passos
em sentido contrário,
mas  na mesma calçada.
A fábrica para onde vou é outra.
Seu tecido é feito de gente,
de meu tear devem sair palavras.
(04-09-2012)