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quarta-feira, 11 de maio de 2016

CANTIGAS DE AMIGOS

A CASA  (Paulo Bentancur)

Ela nos expõe a si mesma
Nos esconde do mundo
Se vives numa casa, encolhido dentro dela
A casa são paredes, tijolos, cimento,
São ferros, vidros, fios elétricos
Sem cheiro de terra, sem as nuvens
Nela entra um pássaro e fere-se
Contra a vidraça. A grande gaiola que te protege
De ti mesmo.
Lá fora o mundo, feito de milhares de formas,
Incontáveis seres, mergulhado no voo da beleza
Cresce cada vez mais.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

CANTIGAS DE AMIGOS

Poema de Paulo Betancur, publicado no livro Bodas de Osso.


PARTO

O espaço enorme, a folha em branco.
O poema abre os olhos, ainda não-poema.
Dá passos desenhados no papel, com a boca
muda se desloca lento.
Nascem juntos autor e obra.
Reconhecimento, o primeiro instante.
Depois cada um parte diferente,

e sozinho.