(Anotações fragmentárias de um livro considerado fundamental para os estudos literários: Teoria da Literatura, de René Wellek e Austin Warren)
Pág. 29 - "Mais difícil de formular é a distinção entre linguagem diária e linguagem literária. O conceito da linguagem diária não é uniforme: inclui largas variedades, como a linguagem coloquial, a linguagem do comércio, a linguagem oficial, a linguagem da religião, o calão dos estudantes. É, contudo, evidente que muito do que ficou dito acerca da linguagem literária é aplicável atmabém aos outros usos da linguagem, excepto ao científico.
Assim, a linguagem de todos os dias também tem a sua função expressiva, embora esta possa variar - desde uma incolor comunicação oficial até a uma apaixonada veemência suscitada por um momento de crise emocional. A linguagem diária está repleta dos irradcionalismos e das mudanças contextuais da linguagem histórica, embora momentos existam em que visa atingir quase a perfeição da descrição científica. apenas ocasionalmente há a consciência dos próprios signos no falar de todos os dias. E todavia tal consciência transparece - no simbolismo sonoro de nomes e de acções. Sem dúvida que a linguagem diária pretende, na maior parte das vezes, atingir resultados, influenciar acções e atitudes. Mas seria falso limitá-la à comunicação. Uma criança tagarelando sozinha durante horas ou uma conversação mundana e quase sem significado de um adulto mostram que existem muitos meios de utilizar a linguagem que não são estritamente, ou pelo menos primariamente, comunicativa."
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