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| Platão |
Pág. 86 - "Pensamos que a distinção de Hjelmslev entre semióticas denotativas e semióticas conotativas encerra potencialidades teóricas muito ricas, mas que não oferece, tal como formulada nos Prolegómenos a uma teoria da linguagem, um modelo satisfatório para a conceituação e a análise do sistema semiótico e do texto literários. (...) "
A seguir, o autor argumenta que os conotadores propostos por Helmslev tanto se aplicam às semióticas conotativas quanto às semióticas denotativas. Invalidando-os como critério de distinção e caracterização do texto literário.
Pág. 87 - "... ao definir o conceito de semiótica conotativa, Helmslev introduz na definição uma restrição muito importante, a qual tem passado quase despercebida aos exegetas e divulgadores do seu pensamento: 'Thus a connotative semiotic is a semiotic that is not a language, and one whose expression plane is provided by the content plane and expression plane of a denotative semiotic'. Ora, de acordo com a conceptologia e a terminologia hjelmslevianas, language corresponde a 'paradigmatic whose paradigms are manifested by all purports' e paradigmatic equivale a semiotic system. Quer dizer, a semiótica conotativa, não sendo uma linguagem, não constitui um sistema semiótico.
Pelo exposto, se depreende que definir e catacterizar a linguagem literária ou a literatura como uma semiótica conotativa, invocando o magistério de Hjelmslev, representa pelo menos uma abusiva extrapolação. E outros mal-entendidos (pág. 88) e graves erros teóricos se podem apontar a alguns dos teorizadores e críticos literários que se reclamam daquele magistério.
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É erróneo, por exemplo, na análise do sistema semiótico literário, considerar a semiótica denotativa como o 'simples significante' ou apenas como o significante, na acpção saussuriana do termo, do plano do conteúdo da semiótica conotativa, pois que a língua (...) não funciona tão-só como a sequência fónica e/ou gráfica que fornece suporte físico e uma forma ao plano do conteúdo da semiótica conotativa. A semiótica denotativa, enquanato plano de expressão da semiótica conotativa, além de funcionar como significante, funciona também necessariamente como mecanismo portador e gerador de significados - um mecanismo existente num determinado universo histórico e social -, entrando em interacção com o plano do conteúdo da semiótica conotativa. Quer dizer, o chamado 'conteúdo literário' não pode ser identificado apenas com o plano do conteúdo da semiótica conotativa.
Por outro lado, é também inexacto identificar a chamada 'forma literária' com a semiótica denotativa, ignorando as específicas conformações que impõe à semiótica denotativa a semiótica conotativa e desconhecendo, de modo particular, a (pág. 89) função das macroestruturas formais e a sua projecção nas frases contitutivas de um texto.
Enfim, colocando-nos numa perspectiva mais ampla, diremos ainda que o modelo hjelmsliano da semiótica conotativa se revela insatisfatório em relação à literatura porque, em virtude do seu 'platonismo', Hjelmslev é conduzido a conceber como invariante e como apenas verdadeiramente pertinente a forma da expressão , considerando como variável - e portanto como indiferente ou não pertinente - a substância da expressão. Este 'platonismo' da glossemática, insustentável no domínio da linguística, impossibilita uma rigorosa conceituação e uma correcta análise do sistema semiótico e do texto literários, pois que a substância da expressãso linguística, quer sob o ponto de vista fónico, quer sob o ponto de vista gráfico-visual, desempenha uma função relevante na constituição e na dinâmica da própria forma (na acepção hjelmsleviana do termo) e dos próprios códigos intervenientes na produção do texto literário. O conceito de forma pura, irrelata e isenta de quaisquer determinações materiais - conceito expresso no famoso símile da rede estendida que projecta a sua sombra sobre uma superfície ininterrupta -, representa um dos princípios ortodoxamente glossemáticos que têm de ser rejeitados numa semiótica da literatura e, mais latamente, numa semiótica da arte."
(CONTINUA)

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