A mensagem
Diferentemente do sentido usual da palavra, o uso vulgar, em semiótica o texto é o encadeamento de signos (palavras) linguísticos de forma a que sua sucessão tenha coerência comunicacional.
Pode-se então dizer que a mensagem é o texto, a tecitura formada por palavras e outros sinais diacríticos (acentos, pontos e outros recursos).
Ocorre que se trata, em nosso caso, de descrever não a mensagem em geral, senão a mensagem literária. Ou seja, levando-se em conta o conceito já exposto de linguagem como sistema modelizante, é necessário que nos atenhamos então ao sistema modelizante secundário, que é o sistema em que se constrói o texto literário.
Para tanto, segundo o Dr. Vítor Manoel, "... o texto literário tem de ser situado num quadro teórico mais complexo."
Metalinguisticamente pode-se identificar no texto literário a existência de um módulo textual , que alguns teóricos chamam de co-texto, no qual encontram-se componentes semântico-intensionais e componentes fonológico-grafemáticos, além de componentes não gramaticais, como componentes métricos, rítmicos, técnicos-formais e retóricos.
É evidente que nenhum dos elementos textuais por si e isoladamente dá conta de caracterizar a mensagem como literária. O conceito de contexto, ou extra-texto, conjunto de fatores externos ao texto, mas que interferem na contextualidade, são outros tantos com os quais se deve trabalhar na caracterização do texto literário. São elementos que participam dos códigos literários, como o contexto situacional, a visão de mundo, o universo simbólico.
Não se podem esquecer, também, fatores diacrônicos e sincrônicos, como vimos anteriormente. Nem tudo será sempre o que foi.
Encerrando o capítulo, transcrevo um parágrafo do livro que vimos estudando, em sua página 297:
"Se o texto literário se esgotasse no seu contexto - por outras palavras, se o texto literário fosse pura historicidade -, a comunicação literária, que ficaria na estrita e imediata dependência de um circunstancialismo histórico-factual, sofreria graves bloqueamentos, quer no tempo, quer no espaço. Em todo o texto literário, porém, se verifica o fenómeno que S. Wolfgang Holdheim, num ensaio de grande penetração analítica, designa por 'o paradoxo histórico-estético': o texto literário é uma entidade histórica, mas existem nele, como objecto estético, parâmetros a-históricos, valores extratemporais, que emergem paradoxalmente dos fundamentos da sua própria historicidade. O momento histórico, com a sua dinâmica peculiar em todos os sectores da cultura, é constitutivo do texto literário, mas este transcende-o, enquanto construção artística e enquanto objecto estético."
(CONTINUA)
Blog de Literatura do escritor Menalton Braff, autor de 26 livros e vencedor do Prêmio Jabuti 2000.
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