O Leopardo
Giuseppe Tomasi di Lampedusa,
príncipe de Lampesusa, nasceu em Palermo em 23 de dezembro de 1896 e faleceu em
Roma em 23 de julho de 1957.
Rejeitado por editores da época, O
Leopardo, seu único romance, foi publicado somente dois anos após sua morte.
O Leopardo é um romance histórico,
passado na Sicília na época do desembarque de Garibaldi em Marsala e foi
inspirado na figura de seu bisavó paterno Giulio di Lampedusa, que era
astrônomo.
“Se queremos que tudo fique como está, é preciso que tudo mude”.
Destaco o forte caráter político da
obra que narra a decadência da monarquia italiana e a ascensão de uma nova
classe política e social – a burguesia.
Os acontecimentos se dão à época em
que a Itália vivia o fim do movimento de unificação das cidades-estado,
movimento esse liderado por Giuseppe Garibaldi e que teve inspiração nos
valores iluministas apregoados pela revolução francesa.
A figura central do romance é
Fabrizio Corbera, príncipe de Salinas, um nobre que contempla melancólica e
passivamente a derrocada de sua classe e de seu patrimônio e que, mesmo diante
das mudanças evidentes, como bom siciliano, não reage pois crê que ao final as
coisas permanecerão como estão.
O nome dado à obra, refere-se ao felino
símbolo e brasão da casa de Salina.
Outro personagem de destaque é Tancredi
Falconeri, sobrinho do príncipe, um jovem sedutor e astuto.
Tancredi apesar de jovem possuía apurado
senso de oportunidade e faro político. Capaz de enxergar as grandes transformações
nas estruturas político-econômicas em curso, toma posição, fingindo estar ao
lado dos revolucionários. Em diálogo com o príncipe, que se opõe à sua posição,
Tancredi solta a frase que é a perfeita síntese da obra: “Se queremos que tudo
fique como está, é preciso que tudo mude”.
O príncipe que já nutria grande
estima pelo sobrinho, do qual detinha a tutela, se dá conta do tesouro que tem
em mãos e, a despeito de preterir sua filha Concetta que é apaixonada pelo
primo, trama o casamento do sobrinho com a bela e encantadora Angélica, filha
de Don Calogero Sedàra, um burguês endinheirado, porém grotesco a ponto de
manter sua esposa trancafiada em casa para que seu passado “indigno” de filha
de camponês paupérrimo e sujo não fosse conhecido.
O príncipe vê nesse casamento de
conveniência uma oportunidade de se livrar dos graves problemas financeiros que
assolam seu reino.
A convivência entre o príncipe e Don
Calogero evidência toda a dificuldade de aceitação e os obstáculos a serem
superados na intersecção de classes sociais tão diferentes e Trancredi aparece
como o personagem mais habilidoso para transitar esses dois mundos tão
diferentes e ao mesmo tempo tão dependentes um do outro.
Misturando história e ficção, como é
próprio do romance histórico, o autor narra com precisão a vida na corte ao fim
do século IX; descreve de forma precisa e graciosa os personagens Fabrizio,
Tancredi, Angélica e Concetta e vai poética e lentamente deixando o tempo
transcorrer na vida dos personagens sem, contudo, enfastiar o leitor.
Uma obra que é puro deleite!

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