domingo, 14 de junho de 2015

RESENHA DO MÊS

Resenha de Maria Aparecida Dojas Sansoldo, do Grupo de Leitura Dom Quixote.

O Leopardo

Giuseppe Tomasi di Lampedusa


Giuseppe Tomasi di Lampedusa, príncipe de Lampesusa, nasceu em Palermo em 23 de dezembro de 1896 e faleceu em Roma em 23 de julho de 1957.

Rejeitado por editores da época, O Leopardo, seu único romance, foi publicado somente dois anos após sua morte.

O Leopardo é um romance histórico, passado na Sicília na época do desembarque de Garibaldi em Marsala e foi inspirado na figura de seu bisavó paterno Giulio di Lampedusa, que era astrônomo.



 “Se queremos que tudo fique como está, é preciso que tudo mude”.

 Destaco o forte caráter político da obra que narra a decadência da monarquia italiana e a ascensão de uma nova classe política e social – a burguesia.

 Os acontecimentos se dão à época em que a Itália vivia o fim do movimento de unificação das cidades-estado, movimento esse liderado por Giuseppe Garibaldi e que teve inspiração nos valores iluministas apregoados pela revolução francesa.

 A figura central do romance é Fabrizio Corbera, príncipe de Salinas, um nobre que contempla melancólica e passivamente a derrocada de sua classe e de seu patrimônio e que, mesmo diante das mudanças evidentes, como bom siciliano, não reage pois crê que ao final as coisas permanecerão como estão.


O nome dado à obra, refere-se ao felino símbolo e brasão da casa de Salina.

Outro personagem de destaque é Tancredi Falconeri, sobrinho do príncipe, um jovem sedutor e astuto.

Tancredi apesar de jovem possuía apurado senso de oportunidade e faro político. Capaz de enxergar as grandes transformações nas estruturas político-econômicas em curso, toma posição, fingindo estar ao lado dos revolucionários. Em diálogo com o príncipe, que se opõe à sua posição, Tancredi solta a frase que é a perfeita síntese da obra: “Se queremos que tudo fique como está, é preciso que tudo mude”.

O príncipe que já nutria grande estima pelo sobrinho, do qual detinha a tutela, se dá conta do tesouro que tem em mãos e, a despeito de preterir sua filha Concetta que é apaixonada pelo primo, trama o casamento do sobrinho com a bela e encantadora Angélica, filha de Don Calogero Sedàra, um burguês endinheirado, porém grotesco a ponto de manter sua esposa trancafiada em casa para que seu passado “indigno” de filha de camponês paupérrimo e sujo não fosse conhecido.

O príncipe vê nesse casamento de conveniência uma oportunidade de se livrar dos graves problemas financeiros que assolam seu reino.

A convivência entre o príncipe e Don Calogero evidência toda a dificuldade de aceitação e os obstáculos a serem superados na intersecção de classes sociais tão diferentes e Trancredi aparece como o personagem mais habilidoso para transitar esses dois mundos tão diferentes e ao mesmo tempo tão dependentes um do outro.

Misturando história e ficção, como é próprio do romance histórico, o autor narra com precisão a vida na corte ao fim do século IX; descreve de forma precisa e graciosa os personagens Fabrizio, Tancredi, Angélica e Concetta e vai poética e lentamente deixando o tempo transcorrer na vida dos personagens sem, contudo, enfastiar o leitor.

Uma obra que é puro deleite!

Maria Aparecida Dojas Sansoldo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

http://twitter.com/Menalton_Braff
http://menalton.com.br
http://www.facebook.com/menalton.braff
http://www.facebook.com/menalton.braff.escritor
http://www.facebook.com/menalton.para.crianças