quinta-feira, 1 de novembro de 2018

ORELHA

Esta coluna reúne textos de Menalton Braff sobre livros de outros autores, alguns deles publicados como orelhas. A publicação escolhida para hoje resultou da oficina "Talentos da Literatura". 


Talentos da Literatura


Este livro é o resultado de oito manhãs de sábado (de estudo, troca de experiências, de leitura, enfim, de textos de autores consagrados). Para alguns, terão sido, essas manhãs de sábado, suas primeiras
incursões, ainda tateantes, neste terreno escorregadio que se chama conto. Para outros, apenas a oportunidade de exercitar o que já traziam de outras andanças pela vida a fora. Uns e outros, contudo, com a paciência que só as pessoas bem formadas podem ter, aceitaram ouvir este humilde escrevinhador que tem um quase nada de experiência maior do que seus ouvintes.

Enganam-se aqueles que julgam ser a forma conto mais fácil do que outras formas literárias. E o engano está, provavelmente, ligado a extensão do conto. De fato, um conto pode ser escrito em poucos dias, algumas horas, em pouco tempo. A escrita de um romance demanda uma concentração maior, um maior convívio com situações e personagens que ocupam a mente de quem os gera; a escrita de um romance exige disciplina e persistência. O conto se escreve em menos tempo e isso é que induz ao erro. Pode ser menos extenso, o conto, mas deve ser mais tenso; pode ter menor
quantidade de personagens, mas tem que ter maior exatidão; pode ter menos situações, menos conflitos, mas tem que ter melhor arranjo de todos seus recursos expressivos. No romance nada pode faltar, no conto nada pode sobrar. Esse foi o bordão de toda a Oficina que desenvolvemos ao longo destes últimos dois meses. A I Oficina de Contos "Talentos da Literatura", uma promoção da Secretaria da Cultura do Município de Ribeirão Preto, chega ao seu final. E chega ao final com o saldo de cerca de trinta contistas, que, alguns mais experientes, outros menos, estão todos eles representados nesta antologia.

Ninguém ficou de fora, porque, acima de alguma coisa que se poderia chamar de qualidade literária, o que se pretendia era uma amostragem daquilo que realmente se fez nesta primeira iniciativa. Uma oficina não pode distribuir talentos, mas pode ajudar seu desenvolvimento. Foi o que tentamos fazer. Cada um com o talento que trouxe na mochila gastou essas oito manhãs abeirando-se dos principais pressupostos teóricos do conto e cumprindo a série de exercícios que se lhes propunha. Hoje são trinta concorrentes a mais nos diversos concursos do gênero espalhados pelo Brasil. A lógica é que, com o passar do tempo, esse número diminua. Podemos estar certos, contudo, de que muitos deles em breve estarão ocupando o pódio dos vencedores.

"Deus quere, o homem sonha, a obra nasce."

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