por Menalton Braff — publicado 10/03/2014 10:40, última modificação 10/03/2014 10:46
Somos um povo sonhador. Estamos sempre sonhando com algum milagre. E isso, podemos imaginar, vem de muito longe. Então, se é que existe um tipo a que se possa chamar de brasileiro, ou seja, se existem brasileiros com características comuns, senão todos, pelo menos a imensa maioria, somos alegres e sonhadores. Ah, sim, e acreditamos nos milagres com os quais sonhamos.
Meu compadre Adamastor, filósofo nas horas vagas e sociólogo amador, afirmou outro dia ser herança do cristianismo. Desde cedo, dizia ele, estamos ouvindo histórias exemplares, frases feitas e bonitas, hagiografias, preceitos, enfim, toda sorte de textos que nos induzem a estar sempre à espera de um milagre. O paraíso está à nossa vista, ao alcance da nossa mão. Quem espera sempre alcança, a esperança é a última que morre e outras frases reforçando nossa crença de que algo além de nossa força e de nosso esforço vai acontecer dando solução a nossos problemas. Todos nós temos um “tio da América”, como no filme de Alain Resnais.
