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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

CONTOS CORRENTES

ÍRIO E OS ANIMAIS


 (Nei Duclós)


Ela não era bonita. Tinha o aspecto quadrado, retaco, mas não aparentava nenhuma brutalidade. A pele morena e clara, com alguns respingos de luz no ombro, expunha o vestido decotado e discreto. Havia tristeza na boca vermelha de batom, suavizada pelo contraponto de um olhar ovalado, quase enorme, e decidido. Írio, absorto na parada do ônibus, achou que a mulher queria falar alguma coisa. Notou pelo jeito e se colocar em posição de sentido, braços juntos ao corpo, a mão esquerda segurando a bolsa de napa marrom, semi-nova, e a direita espalmada na coxa. O vestido rosa desmaiado, com listas brancas, tinha marcas de um forro discreto, presente na altura do busto e na cintura.

Ela deu um passo para frente e abordou Írio, que já estava há uns vinte minutos esperando a condução para levá-lo ao Juizado dos Menores. Era seu dia de plantão. Não costumava chamar a atenção de ninguém, pois tinha o tipo comum daquelas bandas: alto, curvado, magro, com um loiro de trigo bem clarinho no cabelo revolto. O