Um diabo solitário
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A solidão do diabo, de
Paulo Bentancur.
Editora Bertrand Brasil. 352 páginas, R$ 45,00
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Menalton Braff
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O leitor não
espere afagos em seu ego nem dicas para ter sucesso na vida. O livro de Paulo
Bentancur é perturbador, inquietante. São cinqüenta e nove contos, quase todos
curtos, que abrangem panoramicamente um mundo movediço, no qual o equilíbrio é
duvidoso. Do cruísmo irreverente, às vezes brutal, sobe-se a momentos de um
lirismo que se disfarça e se esconde por trás de uma ironia atroz.
São seres que
se debatem entre o sonho alto e a realidade exígua, neurotizados pelo choque
que daí decorre. É um mundo que escorre irremissível, inelutavelmente, e no
qual é preciso equilibrar-se. São seres que se acostumam ao ato falho, seres
miúdos por sua posição social e pela falta de perspectivas. São macabéas de cores
variadas, com o mesmo destino cinza.
No conto “A
primeira de todas as manhãs”, Álvaro, o protagonista, é uma dessas personagens
que vive uma tensão de que não consegue escapar.
