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sábado, 1 de agosto de 2015

RESENHA DA SEMANA


Um diabo solitário


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A solidão do diabo, de Paulo Bentancur.
Editora Bertrand Brasil. 352 páginas, R$ 45,00
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                        Menalton Braff
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O leitor não espere afagos em seu ego nem dicas para ter sucesso na vida. O livro de Paulo Bentancur é perturbador, inquietante. São cinqüenta e nove contos, quase todos curtos, que abrangem panoramicamente um mundo movediço, no qual o equilíbrio é duvidoso. Do cruísmo irreverente, às vezes brutal, sobe-se a momentos de um lirismo que se disfarça e se esconde por trás de uma ironia atroz.
São seres que se debatem entre o sonho alto e a realidade exígua, neurotizados pelo choque que daí decorre. É um mundo que escorre irremissível, inelutavelmente, e no qual é preciso equilibrar-se. São seres que se acostumam ao ato falho, seres miúdos por sua posição social e pela falta de perspectivas. São macabéas de cores variadas, com o mesmo destino cinza.
No conto “A primeira de todas as manhãs”, Álvaro, o protagonista, é uma dessas personagens que vive uma tensão de que não consegue escapar.