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Numa época em que a maioria dos casamentos, pelo menos entre
os possuidores, as famílias da elite, seja nobre ou burguesa, eram muito mais
arranjos familiares do que impulso e atração pessoais dos nubentes, estamos no
século XIX, os escritores românticos pintaram o amor com as cores da pureza e
os pincéis da fidelidade. Aliás, em algumas correntes o amor sofre algum
tropeço para não chegar a seu corolário sexual.
São muitos os exemplos e todos com alguma semelhança.
Em “Eurico, o presbítero”, de Alexandre Herculano, Eurico
busca a morte voluntariamente ao enfrentar os mouros, sem couraça ou elmo; e
sua amada, Hermengarda, enlouquece ao ver-se entre o dever e o amor. Pouco
depois, Camilo Castelo Branco, daria a morte a Simão e Teresa, antes que os
amantes se tocassem a não ser com olhares distantes. Sem necessidade de citar o
modelo de todos eles, Romeu e Julieta, que mais de dois séculos antes já teriam
purificado o amor por expurgo do sexo.
